sábado, 10 de novembro de 2018

A Comunidade de Leitores na Rota do Memorial do Convento

No passado dia 18 de outubro de 2018 realizou-se a 1ª sessão da Comunidade de Leitores, com o título "Passar o tempo pelo tempo". O título é um jogo de palavras para o tempo - tempo que partilhamos em conversas literárias e outras e o tempo real que nesta edição, nos transporta para um outro tempo, já passado - o tempo da memória.
Duas obras literárias Memorial do Convento, de José Saramago, e Nove Mil Passos, de Pedro Almeida Vieira, foram os dois romances debatidos nesta sessão que contou com dois escritores, Miguel Real, comissário da Rota do Memorial do Convento e que nos veio falar do "Memorial do Convento" de José Saramago e Pedro Almeida Vieira que falou da sua obra literária "Nove Mil Passos"
A conversa centrou-se no reinado de D. João V, época que se realizaram duas grandes obras - O Convento de Mafra e o Aqueduto das Águas Livres, com finalidades bem distintas e também razões e histórias bem diferentes. Falou-se do Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal,onde decorreu esta sessão. Neste Palácio pernoitava o Rei e foi também aqui que os sinos do Convento de MAfra foram benzidos e poderiam falar de outros pormenores, alguns relatados nas obras literárias em análise.
Esta sessão, integrada na programação da Rota Memorial do Convento, um projeto intermunicipal dedicado à obra de José Saramago, realizou-se no Palácio dos Arcebispos, um dos imóveis classificados por esta iniciativa cultural e patrimonial. Loures, Lisboa e Mafra são os municípios que integram este projeto, que tem a Fundação José Saramago como parceiro estratégico.
Quase meia centena de pessoas participaram nesta sessão, entre elas, o presidente da União das Freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal, João Florindo. Antes de se iniciar o serão de reflexão, os dois escritores e o público foram presenteados com um momento de arte performativa, concebido e interpretado por Tânia Botas.
No dia 10 de novembro realizar-se-á um percurso pelo património de Santo Antão do Tojal, entre o sagrado e o profano e visitaremos o Palácio dos Arcebispos, Igreja Paroquial, Aqueduto, Fonte Monumental e Chafariz e  e que certamente complementará a leitura dos romances referidos.
A próxima sessão, de leitura e reflexão, da Comunidade de Leitores será dedicada ao livro Fala-lhes de batalhas, de reis e elefantes, de Mathias Énard. A iniciativa irá decorrer na Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, a 15 de novembro.




domingo, 28 de outubro de 2018

A Tese na Literatura


(excertos)
Todo texto defende uma tese.
Quando afirmamos isto, não nos referimos apenas a textos académicos ou teóricos, mas a todo e qualquer texto, incluindo o texto literário.
A tese, ou a proposição, é aquilo que é posto diante dos olhos do leitor, aquilo que o autor deseja apresentar.
Numa carta de amor entre namorados, a tese é provar os sentimentos amorosos de um para o outro; num texto teórico universitário, a tese é a demonstração e comprovação de uma hipótese; em qualquer texto, existe uma tese, uma ideia a ser defendida, mesmo que ela esteja diluída e pareça ser inexistente.
Na Literatura, a tese costuma transparecer de duas maneiras mais comuns: explicitamente, quando a proposta do texto é convencer o leitor a aceitar a tese, ou implicitamente, quando o texto estimula o leitor a concluir, por si só, qual é a tese.
Na verdade, apenas uma obra com objetivo explícito é compreendida por alguns leitores; nem todos possuem o refinamento para ler as entrelinhas de um texto cuja tese esteja disfarçada.
Entretanto, a História da Literatura costuma destacar os autores que conseguem defender suas ideias sem dogmatismo, sem proselitismo. Via de regra, uma obra de Arte é aquela capaz de tocar, de algum modo, todas as pessoas, concordem elas ou não com a tese apresentada.
E, para muitos leitores, desvendar os mistérios de uma obra literária para desvelar seu sentido é uma grande recompensa. Prémio comummente recusado por obras panfletárias.

Henry Bugalho


domingo, 30 de setembro de 2018

A folha antes branca



Escritores sem inspiração é o que mais há! Silvino tinha lido que é mais fácil quando se escreve sobre o que se viu e viveu, e matou toda a família. As teclas feriram as folhas por um semana. O texto escorria sangue.
A editora gostou. Os outros presos também, e pedem-lhe autógrafos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

edição 2018/2019 da Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures

Caros leitores,
Eis o programa desta edição da Comunidade de Leitores. "Passar o tempo pelo tempo". É isso que vamos fazer até maio de 2019. Passar um bom tempo, em conversas literárias que nos dão prazer e que nos alimentam. Revisitar um tempo ou tempos, leituras, Saramago e outros autores. Vai ser bom o reencontro e o local não poderia ser melhor - Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal.


domingo, 26 de agosto de 2018

A extinção do Português



Há tempos tive a visão clara da extinção do Português. Um grupo de brasileiros, provavelmente recém-chegado, tentava fazer-se compreender num restaurante de Lisboa. E entender o empregado. Um deles acabou por exclamar: — Não entendi porra nenhuma!
Estará o Português em perigo? A incomunicabilidade entre versões de uma língua é um forte sinal de alarme. Uma língua tem um comportamento semelhante a uma espécie viva: evolui a partir de uma antepassada, ganha massa crítica de indivíduos, autonomiza-se, cria rebentos semelhantes, pode expandir-se, pode ficar isolada, definhar e morrer.
Hoje, existem cerca de seis mil línguas, fora os dialetos, mas todos os anos desaparecem dez, em média. Com elas perdem-se os tesouros culturais que veiculavam. E, tal como as espécies, uma língua, uma vez extinta, não reaparece mais. O limite da sobrevivência situa-se por volta dos cem mil falantes. Na história humana terão já desaparecido mais de vinte mil línguas. Algumas, pelo contrário, sobrevivem há mais de dois mil anos. O segredo do sucesso parece ser o grande número de falantes. Como o número de indivíduos nas espécies, o número de indivíduos que usa uma língua assegura-lhe a continuidade.
Neste ponto, o Português, com os seus 250 milhões de falantes, tem boas condições de sobrevivência e até de expansão. Só o Brasil tem quase 210 milhões. Outros milhões são falantes em grandes países africanos com excelente potencial de crescimento. É uma das nove línguas que, só elas, congregam metade da população mundial. É como uma espécie endémica; o seu êxito é inquestionável. Evoluiu do latim, a partir do regionalismo galaico-duriense, e conseguiu constituir-se como língua autónoma, apesar do convívio contagioso com o castelhano. Mas estes 250 milhões ainda falam uma só língua?

domingo, 22 de julho de 2018

Homofonia



Bom dia! Uma sandes de fiambre, se faz favor!
Só à uma.
Só há uma? Ótimo. Pode ser essa…