domingo, 28 de outubro de 2018

A Tese na Literatura


(excertos)
Todo texto defende uma tese.
Quando afirmamos isto, não nos referimos apenas a textos académicos ou teóricos, mas a todo e qualquer texto, incluindo o texto literário.
A tese, ou a proposição, é aquilo que é posto diante dos olhos do leitor, aquilo que o autor deseja apresentar.
Numa carta de amor entre namorados, a tese é provar os sentimentos amorosos de um para o outro; num texto teórico universitário, a tese é a demonstração e comprovação de uma hipótese; em qualquer texto, existe uma tese, uma ideia a ser defendida, mesmo que ela esteja diluída e pareça ser inexistente.
Na Literatura, a tese costuma transparecer de duas maneiras mais comuns: explicitamente, quando a proposta do texto é convencer o leitor a aceitar a tese, ou implicitamente, quando o texto estimula o leitor a concluir, por si só, qual é a tese.
Na verdade, apenas uma obra com objetivo explícito é compreendida por alguns leitores; nem todos possuem o refinamento para ler as entrelinhas de um texto cuja tese esteja disfarçada.
Entretanto, a História da Literatura costuma destacar os autores que conseguem defender suas ideias sem dogmatismo, sem proselitismo. Via de regra, uma obra de Arte é aquela capaz de tocar, de algum modo, todas as pessoas, concordem elas ou não com a tese apresentada.
E, para muitos leitores, desvendar os mistérios de uma obra literária para desvelar seu sentido é uma grande recompensa. Prémio comummente recusado por obras panfletárias.

Henry Bugalho


domingo, 30 de setembro de 2018

A folha antes branca



Escritores sem inspiração é o que mais há! Silvino tinha lido que é mais fácil quando se escreve sobre o que se viu e viveu, e matou toda a família. As teclas feriram as folhas por um semana. O texto escorria sangue.
A editora gostou. Os outros presos também, e pedem-lhe autógrafos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

edição 2018/2019 da Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures

Caros leitores,
Eis o programa desta edição da Comunidade de Leitores. "Passar o tempo pelo tempo". É isso que vamos fazer até maio de 2019. Passar um bom tempo, em conversas literárias que nos dão prazer e que nos alimentam. Revisitar um tempo ou tempos, leituras, Saramago e outros autores. Vai ser bom o reencontro e o local não poderia ser melhor - Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal.


domingo, 26 de agosto de 2018

A extinção do Português



Há tempos tive a visão clara da extinção do Português. Um grupo de brasileiros, provavelmente recém-chegado, tentava fazer-se compreender num restaurante de Lisboa. E entender o empregado. Um deles acabou por exclamar: — Não entendi porra nenhuma!
Estará o Português em perigo? A incomunicabilidade entre versões de uma língua é um forte sinal de alarme. Uma língua tem um comportamento semelhante a uma espécie viva: evolui a partir de uma antepassada, ganha massa crítica de indivíduos, autonomiza-se, cria rebentos semelhantes, pode expandir-se, pode ficar isolada, definhar e morrer.
Hoje, existem cerca de seis mil línguas, fora os dialetos, mas todos os anos desaparecem dez, em média. Com elas perdem-se os tesouros culturais que veiculavam. E, tal como as espécies, uma língua, uma vez extinta, não reaparece mais. O limite da sobrevivência situa-se por volta dos cem mil falantes. Na história humana terão já desaparecido mais de vinte mil línguas. Algumas, pelo contrário, sobrevivem há mais de dois mil anos. O segredo do sucesso parece ser o grande número de falantes. Como o número de indivíduos nas espécies, o número de indivíduos que usa uma língua assegura-lhe a continuidade.
Neste ponto, o Português, com os seus 250 milhões de falantes, tem boas condições de sobrevivência e até de expansão. Só o Brasil tem quase 210 milhões. Outros milhões são falantes em grandes países africanos com excelente potencial de crescimento. É uma das nove línguas que, só elas, congregam metade da população mundial. É como uma espécie endémica; o seu êxito é inquestionável. Evoluiu do latim, a partir do regionalismo galaico-duriense, e conseguiu constituir-se como língua autónoma, apesar do convívio contagioso com o castelhano. Mas estes 250 milhões ainda falam uma só língua?

domingo, 22 de julho de 2018

domingo, 24 de junho de 2018

Graus de Complexidade Textual



Classificação, gradação crescente e caracterização:


    Textos não complicados:
Textos desafiantes:

Textos complexos:


Relações:
básicas, evidentes;
por vezes implícitas;
subtis, enredadas, não evidentes;
Riqueza:
mínima, limitada;
moderada, maior pormenorização;
bastante significativa, altamente sofisticada;
Estrutura:
simples, convencional;
mais complicada;
elaborada, por
vezes não convencional;
Estilo:
simples, acessível;
mais rico, menos evidente;
frequentemente intrincado;
Vocabulário:

familiar;
algumas palavras difíceis,
contextualmente dependentes;
exigente, contextualmente dependente em elevado grau.
Intenção:
clara.
expressa com alguma subtileza.
implícita e
por vezes ambígua.