Na
última passagem de ano, desloquei-me com o grupo familiar habitual
ao espaço fronteiro à Torre de Belém, onde a autarquia prometia
música e fogo de artifício. A surpresa foi muito agradável. Até à
meia-noite, atuou um conjunto muito curioso: formado por três
violas, bateria, piano e três metais, só tocam músicas dos
Beatles, copiam-nos em tudo, até nas roupas. Dão pelo nome de “Get
Back Beatles” e são brasileiros. O esforço rende resultados:
abstraindo-nos um pouco, quase acreditamos que estamos a ver e a
ouvir os autênticos, quarenta anos depois, em Lisboa, todos vivos e
jovens.
Admirei-os
por terem conseguido arranjar um nicho de mercado original e rendoso.
Este
revivalismo vem acontecendo com outras formulações. Tomei
conhecimento de que, num clube privado, um grupo fazia a passagem de
ano só com a banda sonora de uma novela brasileira. Uma passagem de
ano temática.
Sempre
atento às oportunidades de ganhar dinheiro com a literatura,
dei por mim a pensar como se aplicaria o conceito ao ramo literário:
Seria
possível encher um pavilhão, a pagar, para ver um autor a criar um
conto? Várias câmaras captariam a folha onde o escritor alinharia
as palavras, apresentando em grandes ecrãs panorâmicos com que
palavras começava, quais cortava, mostrando o conto a nascer e a
crescer, paulatina, mas inexoravelmente. Outras câmaras mostravam
que apoios consultava, que palavras procurava nos dicionários, que
partes ia aproveitando. Seria de evitar que o escritor
