23 de abril
quinta-feira, 23 de abril de 2020
DIA MUNDIAL DO LIVRO - Diálogos Improváveis
Celebramos o Dia Mundial do Livro com um filme desta Comunidade de Leitores.
terça-feira, 7 de abril de 2020
Sugestão de leitura de Luísa Correia em tempo de pandemia covid 19
Luísa Correia, leitora da Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures propõe-nos um poema de um grande autor português, Miguel Torga, porque citando Gabriel Celaya, a “A POESIA É UMA ARMA CARREGADA DE FUTURO” com esperança em dias melhores…
A um secreto Leitor
No silêncio da noite é que eu te falo
Como através dum ralo
Da confissão
Auscultadores pessoais e atentos,
Os teus ouvidos são
Ermos abertos para os meus tormentos.
Sem saber o teu nome e sem te ver
-Juiz que ninguém pode corromper-
Murmuro-te os meus versos, os pecados,
Penitente e seguro
De que serás um búzio do futuro,
Se os poemas me forem perdoados.
(TORGA, Miguel in “Poesia completa”)

segunda-feira, 6 de abril de 2020
Sugestão de leituras de Maria Celeste Pimenta em tempo de pandemia covid 19
Maria Celeste Pimenta, leitora da Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures sugere uma obra literária que neste momento, está a ler. “A História de uma Serva” e falamos, naturalmente, da autora canadiana Margaret Atwood.
(Excerto)
“Aguardo. Recomponho-me. A minha pessoa é uma coisa que eu agora tenho de compor, como alguém compõe um discurso. Aquilo que tenho de apresentar é uma coisa feita, não uma coisa nascida”.
(ATWOOD, Margaret in “A História de uma Serva”, p. 81)
Foto: Maria Pimenta

domingo, 5 de abril de 2020
Sugestão de leitura de Margarida Moreira em tempo de pandemia covid 19.
Margarida Moreira, leitora da Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures sugere o livro “O Nu na Antiguidade Clássica”, uma Antologia de Poemas sobre a Grécia e Roma de Sophia de Mello Breyner Andreson.
Quando lemos Sophia, apercebemo-nos que nesses momentos ela permanece sentada ao nosso lado, entregando-nos em mãos todo o encantamento que viveu - com as palavras certas nos envolve e deslumbra.
Neste livro Sophia dedica-se ao estudo e reflexão sobre a Grécia e Roma, Antigas.
Da poesia dela emana o cheiro das flores, o vento que sentimos no rosto, o odor da maresia, o murmurar do mar,... a beleza dos corpos e almas humanas, nus, enraizados como plantas imortais nos tempos antigos.
Margarida Moreira
Poema:
A minha vida está vivida
Já minha morte prepara
Seu pó de beladona
Viajarei ainda para me despedir das imagens
Antes de despir a túnica do visível
Em vão me engano
Verdadeiramente sou quem fui
Atravessando quartos forrados de espelhos ardentes
E diluída no fulgor da Primavera antiga
Se ainda busco o promontório de Sunion
é porque nele vejo a minha face despida
o mitológico mundo interior e exterior
da minha própria unidade perseguida
Mas como despedir-me deste sal
Deste vento inventor de degraus e colunas
Como despedir-me das pedras deste mar
E deste denso amor inteiro e sem costuras.
Andreson, Sophia de Mello Breyner in “O Nu na Antiguidade Clássica”, p.203)
Foto: Margarida Moreira

sábado, 4 de abril de 2020
Sugestão de Leitura de MIzé em tempo de pandemia covid 19
Mizé , como é conhecida, leitora da Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures sugere a leitura de um livro de Albert Camus, “A Peste” e refere que “Ao reler as páginas deste livro nota-se uma semelhança atroz do que estamos a viver. Espera e deseja, que a metáfora de toda a obra não se volte a repetir”.
(excertos)
“Era bem claro que as medidas adoptadas eram insuficientes, (…) sabia bem do que tratava: dois pavilhões apressadamente libertados dos seus outros doentes, com as janelas calafetadas, rodeadas de um cordão sanitário. Se a epidemia não passasse por si própria, não seria vencida pelas medidas que a administração tinha imaginado”.
(…) Em três dias, com efeito, os dois pavilhões ficaram cheios.
(…) Por esta época, o tempo pareceu fixar-se”
(CAMUS, Albert in “A Peste”, p. 74 e 75)

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