segunda-feira, 10 de julho de 2017

FotoLeituras de Verão

Caro leitor(a)
Verão é tempo de férias, de descanso e claro de muitas leituras. Desafio-o a partilhar uma foto de férias. Única condição: o livro. Que livro andamos a ler. Depois das leituras feitas, podemos utilizar este espaço para partilharmos as nossas leituras. Que acham?  Eu começo já...


sexta-feira, 23 de junho de 2017

...Foi naquele ponto certo. Foi na Biblioteca Municipal Ary dos Santos, no dia 22 de junho.


Entre todos os lugares possíveis, foi naquele ponto certo. Assim se inicia o romance "Galveias" de José Luís Peixoto. O ponto certo, foi a Biblioteca Municipal Ary dos Santos onde passámos um serão dedicado à literatura e às pessoas. Uma noite única e irrepetível. Uma noite de emoções fortes e de surpresas, que vamos guardar para sempre nas nossas memórias e talvez no coração.

O Grupo Coral de Cante Alentejano da Liga dos Amigos da Mina de São Domingos, com sede em Sacavém deu o mote para que nos sentíssemos no Alentejo. Mas antes de cantarem as modas alentejanas, lembraram, com alguma emoção, o homem que deu nome à sala onde nos encontrávamos -  Herberto Goulart. O Hino dos Mineiros voltou a emocionar e cantámo-lo todos em uníssono em homenagem às vítimas da tragédia em Pedrogão Grande.

José Luis Peixoto havia sido convidado para esta sessão especial da Comunidade de Leitores, integrada na programação da comemoração do 1º aniversário da Biblioteca Municipal Ary dos Santos, mas por compromissos já assumidos não pôde aceitar o convite, mas, os leitores foram surpreendidos quando no grande écran surge o escritor a saudar a Comunidade de Leitores.



Galveias. Alguém pergunta onde fica essa terra alentejana e alguém responde que é uma freguesia do concelho de Ponte de Sor. Essa pessoa deu-se a conhecer e entre nós tínhamos uma das irmãs do escritor e a sua mãe Alzira Pulguinhas, senhora extraordinária e de grande riqueza, uma contadora de histórias, a quem certamente, José Luis Peixoto foi buscar o sabor das palavras e os afetos, que nos transmite através da sua obra literária.

Acercámo-nos da conversa  como os galveenses acercavam-se da cratera, avaliavam a forma da coisa sem nome, sentiam-lhe o calor e o cheiro, mas ignoravam-lhe o mistério. A coisa na Biblioteca tinha nome - comunidade de leitores, gentes que se encontram amiúde para falar de livros, para ouvir e contar histórias, para sentir o calor e os afetos. Hoje, a noite foi especial porque debatemos um romance autêntico, que fala da ruralidade portuguesa e como nos disse José Luís Peixoto Se forem a Galveias não se esqueçam de falar com as pessoas que são a maior riqueza. Tivémos connosco essa riqueza de Galveias - a Dona Alzira, mulher de idade sábia e  e uma das suas filhas que nos contaram muitas histórias dessa vila alentejana, das suas gentes e claro, de José Luís Peixoto.

A noite foi pouca para tantas  palavras e emoções,  mas ainda houve tempo para brindarmos com vinho alentejano aos bons momentos da vida e este foi um deles.
Maria Rijo


quarta-feira, 31 de maio de 2017

1º Aniversário da Biblioteca Municipal Ary dos Santos, em Sacavém

Caros leitores,

Vamos ter mais uma sessão especial da Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures, a realizar no âmbito das comemorações do primeiro aniversário da Biblioteca Municipal Ary dos Santos. Desta vez, viajamos por Galveias, embalados pelo Cante Alentejano. "Galveias" de José Luís Peixoto fala-nos da ruralidade portuguesa e de muitas personagens que habitam esta pequena freguesia do concelho de Ponte de Sôr. Uma história com muitas histórias dentro e que com certeza, vai levar a outras histórias - às nossas, que temos sempre o  prazer de partilhar.

Vejam o programa e comemorem connosco estes dias de festa na Biblioteca Municipal Ary dos Santos. Temos todo o prazer em vos receber.

E, não se esqueça, a poesia e os poetas portugueses também  lá estarão. Aproveite e assista ao espetáculo de poesia "Entre nós e as palavras" com o ator Pedro Lamares.



quarta-feira, 3 de maio de 2017

Comunidade de Leitores integrada na comemorações do 25 de Abril no concelho de Loures

A noite estava escura. O autocarro  parado à porta da Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, aguardava a hora da partida. Primeiro chegou Ramos, apressado,  tinha de passar alguns avantes!  pelos camaradas e não ser visto. Conseguiu passar alguns. Depois apareceram Vaz e Rosa e logo de seguida chegou Paulo e Maria. Partimos em direção a Bucelas. Pela estrada fora conversámos sobre a nossa vida na clandestinidade. Uma vida difícil para tantos homens e mulheres que lutavam por uma vida mais justa. Estávamos nos anos 50, do século passado, num país que vivia oprimido por um regime opressor.

Chegámos a Bucelas, ao Museu do Vinho e da Vinha e aí, deu-se o encontro de pessoas que gostam de ler e de partilhar as suas leituras em liberdade, claro.

Falou-se do autor, Manuel Tiago/Álvaro Cunhal. Personalidade conhecida de todos, como militante e dirigente do Partido Comunista Português. Foi Secretário-Geral do PCP durante muitos anos, de 1961 a  1992.

Filiou-se no Partido aos 17 anos. É detido pela primeira vez aos 23 anos.  Esteve preso 11 anos e foi mantido incomunicável e em isolamento durante oito anos. Em janeiro de 1960 foge do Forte de Peniche, onde se encontrava preso. Após esta fuga, fica dois anos na clandestinidade e depois vai para o exílio onde permanecerá até 1974. Regressa a Portugal a 30 de abril desse ano.

Álvaro Cunhal foi também um artista raro, com imenso talento para as artes. Expressou-se na literatura e nas artes plásticas e ainda na reflexão teórica sobre a estética e a criação cultural. Foi também tradutor (traduziu Rei Lear de William Shakespeare, enquanto esteve preso).

Álvaro Cunhal terá usado muitos pseudónimos ou heterónimos (há diferentes opiniões).O autor terá dito em entrevista que "Tiago não é um pseudónimo, nem um heterónimo. É Cunhal, ele mesmo, usando máscaras, porque gostava de máscaras". Na literatura foi Manuel Tiago. Como tradutor usou o nome de Maria Manuela Serpa e na vida política foi um homem com muitos nomes: Daniel (jovem revolucionário), Duarte (Dirigente clandestino), António Vale, António Sousa, Alenquer, Gabriel, entre outros. Aliás, é por causa disso que o autor mereceu o título de "homem sem nome".
Morreu em 2005.

A vida de Álvaro Cunhal entrelaçada na sua ficção.

Álvaro Cunhal enquanto esteve preso, entre 1949 e 1960, escreveu o romance "Até Amanhã, Camaradas" e "Cinco Dias, Cinco Noites" e produz um número significativo dos seus desenhos e pinturas.

O autor escreveu 9 livros de ficção, sete dos quais publicados entre 1994 e 2003 - "A Estrela de Seis Pontas", "A Casa Eulália", "Fronteiras", "O Risco na Areia", "Sala 3 e outros contos", "Os Corrécios"e outros contos" e "Lutas e Vidas - um conto". A sua obra é constituída por ricas narrativas de ficção literária.

Pacheco Pereira, no primeiro volume de "Álvaro Cunhal: Uma Biografia Política" escreve que a verdadeira autobiografia de Álvaro Cunhal está nos romances, ficcionados pelo próprio, dando como exemplos, "Até Amanhã, Camaradas", com a construção do PCP na clandestinidade; "A Estrela de Seis Pontas", a experiência da prisão na Penitenciária de Lisboa; "A Casa Eulália", a experiência de Álvaro Cunhal em ESpanha, em 1936; "A Fronteira" que aborda as várias passagens das fronteiras em 1935, 1936 e 1948. No entanto, Álvaro Cunhal sempre recusou esta tese.

A história do romance "Até Amanhã, camaradas"

Supõe-se que começou a ser escrito quando Álvaro Cunhal estava preso na Penitenciária de Lisboa, no início da década de cinquenta do século XX.

Sabe-se que quando Álvaro Cunhal fugiu do Forte de Peniche, através de uma corda, pelas dezenas de metros de muralhas, Cunhal trazia consigo, escondidos num colete fabricado para o efeito, os manuscritos desta obra literária, que na altura se intitulava "A Mulher do Lenço Preto" e sabe-se também que na fuga acabou por se perder uma parte dos manuscritos que o autor mais tarde reconstituiu.

"Até Amanhã, Camaradas" só viria a ser publicado em 1975, com uma nota inicial em que dizia que o original tinha sido encontrado no meio de um arquivo com uma pequena folha apensa e agrafada, onde se lia num rabisco feito à pressa Manuel Tiago. Durante bastantes anos, não se soube que era Manuel Tiago. O que só viria a acontecer em 1994, quando Álvaro Cunhal assume a autoria das diversas obras assinadas com o pseudónimo de Menuel Tiago.

"Até Amanhã, Camaradas" testemunho de uma vida

Estamos perante um romance realista e único na literatuta portuguesa. É hoje, considerado um romance do neorrealismo, a par de outros romances de autores consagrados como Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes, José Gomes Ferreira, entre outros.
Este é um romance extraordinariamente importante na literatura portuguesa porque retrata um Portugal trabalhador e explorado pelo regime opressor de Salazar e mostra igualmente a dignidade e a coragem de homens e mulheres que participaram ativamente na construção de um partido, na sua organização e na luta, nos campos e nas fábricas em busca de uma vida melhor.

Como é afirmado por Domingos Lobo, "Manuel Tiago surge como uma voz descomplexada, com uma escrita clara e despojada, de cariz vincadamente anti burguês, politicamente e partidariamente comprometida. Álvaro Cunhal quis mostrar ao mundo aquilo que ele e outros companheiros viveram".

Os personagens e os lugares

Através desta narrativa conhecemos muitos homens e mulheres pela mão do autor, que os carateriza com rigor, nos pormenores físicos e psicológicos. Eles diferenciam-se pelo que fazem dizem, pensam ou sentem. Estamos, por isso, perante um romance polifónico. Aliás, o autor mostra-nos as pessoas com as suas fragilidades, feitios, teimosias, visões diferentes, as suas traições, etc. As pessoas são como são e Álvaro Cunhal mostra o ser humano tal qual ele é.

Podemos afirmar que o autor não quis destruir a individualização das personagens e vemos com certeza observar isso quando estivermos a falar nos personagens deste romance que são muitos (Vaz, Ramos, Marques, Maria, Rosa, Manuel Rato, Isabel, Joana, José Sagarra, Afonso, Paulo, entre tantos outros que viviam na clandestinidade.

Para além destes personagens, observamos o narrador, que é a voz que parece não ter nome. Ele é denominado de "Amigo" que é o personagem que visita a casa dos Pereira, como local  de refúgio ou ponto de apoio. Ele representa o grande coletivo partidário.

Pese embora o número significativo de homens e mulheres, personagens deste romance, Manuel Gusmão considera este romance como um dos poucos romances portugueses de herói coletivo e também um dos poucos que tem uma narrativa fundamental, a vida, a ação e a luta do indivíduo que a configuram. Urbano Tavares Rodrigues considera o Partido a personagem principal desta epopeia de pequenos heróis.

Temos também uma personagem simbólica - a bicicleta - personagem central, símbolo de um tempo de resistência e de luta, mas também símbolo de pobreza, dado que era o veículo utilizado pelos mais pobres e que passa despercebido, cumprindo assim as duas tarefas.

Outra importante caraterística deste romance é a descrição dos lugares que´é feita com grande clareza e é bastnte visual. O leitor consegue seguir todos os passos dos personagens, num crescendo de ação. Assiste a toda a preparação do movimento social com vista à materialização da greve, nas marchas da fome e reivindicações junto das autoridades locais. Em resposta a estes protestos, surge a repressão, a prisão,a tortura e a morte.

O romance termina com uma mensagem de esperança, digamos assim, porque no final assistimos ao reerguer da Organização, pela mão de Paulo, um dos personagens, um homem que não desistiu da luta perante as dificuldades.

Termino, referindo que a escrita de Álvaro Cunhal, foi uma forma de liberdade, como mais tarde terá afirmado no seu livro "A Arte, o Artista e a Sociedade": Arte é  Liberdade.

Maria Rijo






sábado, 8 de abril de 2017

Sessão especial da comunidade de leitores dedicada ao 25 de Abril - 27 de abril

Caros leitores
Estão convidados a  participar neste serão literário, fora de portas, no Museu do Vinho e da Vinha, em Bucelas. Vamos discutir em liberdade o que Manuel Tiago escreveu num tempo em que o fascismo não permitia reuniões.

Manuel Tiago conta-nos a sua vida e a de muitos homens e mulheres que lutaram na clandestinidade por uma vida melhor e essencialmente pela liberdade.

Aproveitemos a liberdade  para falar do livro "Até Amanhã Camaradas", para falar das nossas memórias, aprendermos uns com os outros a respeitar ideias e sermos todos mais tolerantes e  melhores cidadãos.

A companhia vai ser boa!!!!!