Caros leitores,
Vamos ter mais uma sessão especial da Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures, a realizar no âmbito das comemorações do primeiro aniversário da Biblioteca Municipal Ary dos Santos. Desta vez, viajamos por Galveias, embalados pelo Cante Alentejano. "Galveias" de José Luís Peixoto fala-nos da ruralidade portuguesa e de muitas personagens que habitam esta pequena freguesia do concelho de Ponte de Sôr. Uma história com muitas histórias dentro e que com certeza, vai levar a outras histórias - às nossas, que temos sempre o prazer de partilhar.
Vejam o programa e comemorem connosco estes dias de festa na Biblioteca Municipal Ary dos Santos. Temos todo o prazer em vos receber.
E, não se esqueça, a poesia e os poetas portugueses também lá estarão. Aproveite e assista ao espetáculo de poesia "Entre nós e as palavras" com o ator Pedro Lamares.
quarta-feira, 31 de maio de 2017
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Comunidade de Leitores integrada na comemorações do 25 de Abril no concelho de Loures
A noite estava escura. O autocarro parado à porta da Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, aguardava a hora da partida. Primeiro chegou Ramos, apressado, tinha de passar alguns avantes! pelos camaradas e não ser visto. Conseguiu passar alguns. Depois apareceram Vaz e Rosa e logo de seguida chegou Paulo e Maria. Partimos em direção a Bucelas. Pela estrada fora conversámos sobre a nossa vida na clandestinidade. Uma vida difícil para tantos homens e mulheres que lutavam por uma vida mais justa. Estávamos nos anos 50, do século passado, num país que vivia oprimido por um regime opressor.
Chegámos a Bucelas, ao Museu do Vinho e da Vinha e aí, deu-se o encontro de pessoas que gostam de ler e de partilhar as suas leituras em liberdade, claro.
Chegámos a Bucelas, ao Museu do Vinho e da Vinha e aí, deu-se o encontro de pessoas que gostam de ler e de partilhar as suas leituras em liberdade, claro.
Falou-se do autor, Manuel Tiago/Álvaro Cunhal. Personalidade conhecida de todos, como militante e dirigente do Partido Comunista Português. Foi Secretário-Geral do PCP durante muitos anos, de 1961 a 1992.
Filiou-se no Partido aos 17 anos. É detido pela primeira vez aos 23 anos. Esteve preso 11 anos e foi mantido incomunicável e em isolamento durante oito anos. Em janeiro de 1960 foge do Forte de Peniche, onde se encontrava preso. Após esta fuga, fica dois anos na clandestinidade e depois vai para o exílio onde permanecerá até 1974. Regressa a Portugal a 30 de abril desse ano.
Álvaro Cunhal foi também um artista raro, com imenso talento para as artes. Expressou-se na literatura e nas artes plásticas e ainda na reflexão teórica sobre a estética e a criação cultural. Foi também tradutor (traduziu Rei Lear de William Shakespeare, enquanto esteve preso).
Álvaro Cunhal terá usado muitos pseudónimos ou heterónimos (há diferentes opiniões).O autor terá dito em entrevista que "Tiago não é um pseudónimo, nem um heterónimo. É Cunhal, ele mesmo, usando máscaras, porque gostava de máscaras". Na literatura foi Manuel Tiago. Como tradutor usou o nome de Maria Manuela Serpa e na vida política foi um homem com muitos nomes: Daniel (jovem revolucionário), Duarte (Dirigente clandestino), António Vale, António Sousa, Alenquer, Gabriel, entre outros. Aliás, é por causa disso que o autor mereceu o título de "homem sem nome".
Morreu em 2005.
A vida de Álvaro Cunhal entrelaçada na sua ficção.
Álvaro Cunhal enquanto esteve preso, entre 1949 e 1960, escreveu o romance "Até Amanhã, Camaradas" e "Cinco Dias, Cinco Noites" e produz um número significativo dos seus desenhos e pinturas.
O autor escreveu 9 livros de ficção, sete dos quais publicados entre 1994 e 2003 - "A Estrela de Seis Pontas", "A Casa Eulália", "Fronteiras", "O Risco na Areia", "Sala 3 e outros contos", "Os Corrécios"e outros contos" e "Lutas e Vidas - um conto". A sua obra é constituída por ricas narrativas de ficção literária.
Pacheco Pereira, no primeiro volume de "Álvaro Cunhal: Uma Biografia Política" escreve que a verdadeira autobiografia de Álvaro Cunhal está nos romances, ficcionados pelo próprio, dando como exemplos, "Até Amanhã, Camaradas", com a construção do PCP na clandestinidade; "A Estrela de Seis Pontas", a experiência da prisão na Penitenciária de Lisboa; "A Casa Eulália", a experiência de Álvaro Cunhal em ESpanha, em 1936; "A Fronteira" que aborda as várias passagens das fronteiras em 1935, 1936 e 1948. No entanto, Álvaro Cunhal sempre recusou esta tese.
A história do romance "Até Amanhã, camaradas"
Supõe-se que começou a ser escrito quando Álvaro Cunhal estava preso na Penitenciária de Lisboa, no início da década de cinquenta do século XX.
Sabe-se que quando Álvaro Cunhal fugiu do Forte de Peniche, através de uma corda, pelas dezenas de metros de muralhas, Cunhal trazia consigo, escondidos num colete fabricado para o efeito, os manuscritos desta obra literária, que na altura se intitulava "A Mulher do Lenço Preto" e sabe-se também que na fuga acabou por se perder uma parte dos manuscritos que o autor mais tarde reconstituiu.
"Até Amanhã, Camaradas" só viria a ser publicado em 1975, com uma nota inicial em que dizia que o original tinha sido encontrado no meio de um arquivo com uma pequena folha apensa e agrafada, onde se lia num rabisco feito à pressa Manuel Tiago. Durante bastantes anos, não se soube que era Manuel Tiago. O que só viria a acontecer em 1994, quando Álvaro Cunhal assume a autoria das diversas obras assinadas com o pseudónimo de Menuel Tiago.
"Até Amanhã, Camaradas" testemunho de uma vida
Estamos perante um romance realista e único na literatuta portuguesa. É hoje, considerado um romance do neorrealismo, a par de outros romances de autores consagrados como Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes, José Gomes Ferreira, entre outros.
Este é um romance extraordinariamente importante na literatura portuguesa porque retrata um Portugal trabalhador e explorado pelo regime opressor de Salazar e mostra igualmente a dignidade e a coragem de homens e mulheres que participaram ativamente na construção de um partido, na sua organização e na luta, nos campos e nas fábricas em busca de uma vida melhor.
Como é afirmado por Domingos Lobo, "Manuel Tiago surge como uma voz descomplexada, com uma escrita clara e despojada, de cariz vincadamente anti burguês, politicamente e partidariamente comprometida. Álvaro Cunhal quis mostrar ao mundo aquilo que ele e outros companheiros viveram".
Os personagens e os lugares
Através desta narrativa conhecemos muitos homens e mulheres pela mão do autor, que os carateriza com rigor, nos pormenores físicos e psicológicos. Eles diferenciam-se pelo que fazem dizem, pensam ou sentem. Estamos, por isso, perante um romance polifónico. Aliás, o autor mostra-nos as pessoas com as suas fragilidades, feitios, teimosias, visões diferentes, as suas traições, etc. As pessoas são como são e Álvaro Cunhal mostra o ser humano tal qual ele é.
Podemos afirmar que o autor não quis destruir a individualização das personagens e vemos com certeza observar isso quando estivermos a falar nos personagens deste romance que são muitos (Vaz, Ramos, Marques, Maria, Rosa, Manuel Rato, Isabel, Joana, José Sagarra, Afonso, Paulo, entre tantos outros que viviam na clandestinidade.
Para além destes personagens, observamos o narrador, que é a voz que parece não ter nome. Ele é denominado de "Amigo" que é o personagem que visita a casa dos Pereira, como local de refúgio ou ponto de apoio. Ele representa o grande coletivo partidário.
Pese embora o número significativo de homens e mulheres, personagens deste romance, Manuel Gusmão considera este romance como um dos poucos romances portugueses de herói coletivo e também um dos poucos que tem uma narrativa fundamental, a vida, a ação e a luta do indivíduo que a configuram. Urbano Tavares Rodrigues considera o Partido a personagem principal desta epopeia de pequenos heróis.
Temos também uma personagem simbólica - a bicicleta - personagem central, símbolo de um tempo de resistência e de luta, mas também símbolo de pobreza, dado que era o veículo utilizado pelos mais pobres e que passa despercebido, cumprindo assim as duas tarefas.
Outra importante caraterística deste romance é a descrição dos lugares que´é feita com grande clareza e é bastnte visual. O leitor consegue seguir todos os passos dos personagens, num crescendo de ação. Assiste a toda a preparação do movimento social com vista à materialização da greve, nas marchas da fome e reivindicações junto das autoridades locais. Em resposta a estes protestos, surge a repressão, a prisão,a tortura e a morte.
O romance termina com uma mensagem de esperança, digamos assim, porque no final assistimos ao reerguer da Organização, pela mão de Paulo, um dos personagens, um homem que não desistiu da luta perante as dificuldades.
Termino, referindo que a escrita de Álvaro Cunhal, foi uma forma de liberdade, como mais tarde terá afirmado no seu livro "A Arte, o Artista e a Sociedade": Arte é Liberdade.
Maria Rijo
Filiou-se no Partido aos 17 anos. É detido pela primeira vez aos 23 anos. Esteve preso 11 anos e foi mantido incomunicável e em isolamento durante oito anos. Em janeiro de 1960 foge do Forte de Peniche, onde se encontrava preso. Após esta fuga, fica dois anos na clandestinidade e depois vai para o exílio onde permanecerá até 1974. Regressa a Portugal a 30 de abril desse ano.
Álvaro Cunhal foi também um artista raro, com imenso talento para as artes. Expressou-se na literatura e nas artes plásticas e ainda na reflexão teórica sobre a estética e a criação cultural. Foi também tradutor (traduziu Rei Lear de William Shakespeare, enquanto esteve preso).
Álvaro Cunhal terá usado muitos pseudónimos ou heterónimos (há diferentes opiniões).O autor terá dito em entrevista que "Tiago não é um pseudónimo, nem um heterónimo. É Cunhal, ele mesmo, usando máscaras, porque gostava de máscaras". Na literatura foi Manuel Tiago. Como tradutor usou o nome de Maria Manuela Serpa e na vida política foi um homem com muitos nomes: Daniel (jovem revolucionário), Duarte (Dirigente clandestino), António Vale, António Sousa, Alenquer, Gabriel, entre outros. Aliás, é por causa disso que o autor mereceu o título de "homem sem nome".
Morreu em 2005.
A vida de Álvaro Cunhal entrelaçada na sua ficção.
Álvaro Cunhal enquanto esteve preso, entre 1949 e 1960, escreveu o romance "Até Amanhã, Camaradas" e "Cinco Dias, Cinco Noites" e produz um número significativo dos seus desenhos e pinturas.
O autor escreveu 9 livros de ficção, sete dos quais publicados entre 1994 e 2003 - "A Estrela de Seis Pontas", "A Casa Eulália", "Fronteiras", "O Risco na Areia", "Sala 3 e outros contos", "Os Corrécios"e outros contos" e "Lutas e Vidas - um conto". A sua obra é constituída por ricas narrativas de ficção literária.
Pacheco Pereira, no primeiro volume de "Álvaro Cunhal: Uma Biografia Política" escreve que a verdadeira autobiografia de Álvaro Cunhal está nos romances, ficcionados pelo próprio, dando como exemplos, "Até Amanhã, Camaradas", com a construção do PCP na clandestinidade; "A Estrela de Seis Pontas", a experiência da prisão na Penitenciária de Lisboa; "A Casa Eulália", a experiência de Álvaro Cunhal em ESpanha, em 1936; "A Fronteira" que aborda as várias passagens das fronteiras em 1935, 1936 e 1948. No entanto, Álvaro Cunhal sempre recusou esta tese.
A história do romance "Até Amanhã, camaradas"
Supõe-se que começou a ser escrito quando Álvaro Cunhal estava preso na Penitenciária de Lisboa, no início da década de cinquenta do século XX.
Sabe-se que quando Álvaro Cunhal fugiu do Forte de Peniche, através de uma corda, pelas dezenas de metros de muralhas, Cunhal trazia consigo, escondidos num colete fabricado para o efeito, os manuscritos desta obra literária, que na altura se intitulava "A Mulher do Lenço Preto" e sabe-se também que na fuga acabou por se perder uma parte dos manuscritos que o autor mais tarde reconstituiu.
"Até Amanhã, Camaradas" só viria a ser publicado em 1975, com uma nota inicial em que dizia que o original tinha sido encontrado no meio de um arquivo com uma pequena folha apensa e agrafada, onde se lia num rabisco feito à pressa Manuel Tiago. Durante bastantes anos, não se soube que era Manuel Tiago. O que só viria a acontecer em 1994, quando Álvaro Cunhal assume a autoria das diversas obras assinadas com o pseudónimo de Menuel Tiago.
"Até Amanhã, Camaradas" testemunho de uma vida
Estamos perante um romance realista e único na literatuta portuguesa. É hoje, considerado um romance do neorrealismo, a par de outros romances de autores consagrados como Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes, José Gomes Ferreira, entre outros.
Este é um romance extraordinariamente importante na literatura portuguesa porque retrata um Portugal trabalhador e explorado pelo regime opressor de Salazar e mostra igualmente a dignidade e a coragem de homens e mulheres que participaram ativamente na construção de um partido, na sua organização e na luta, nos campos e nas fábricas em busca de uma vida melhor.
Como é afirmado por Domingos Lobo, "Manuel Tiago surge como uma voz descomplexada, com uma escrita clara e despojada, de cariz vincadamente anti burguês, politicamente e partidariamente comprometida. Álvaro Cunhal quis mostrar ao mundo aquilo que ele e outros companheiros viveram".
Os personagens e os lugares
Através desta narrativa conhecemos muitos homens e mulheres pela mão do autor, que os carateriza com rigor, nos pormenores físicos e psicológicos. Eles diferenciam-se pelo que fazem dizem, pensam ou sentem. Estamos, por isso, perante um romance polifónico. Aliás, o autor mostra-nos as pessoas com as suas fragilidades, feitios, teimosias, visões diferentes, as suas traições, etc. As pessoas são como são e Álvaro Cunhal mostra o ser humano tal qual ele é.
Podemos afirmar que o autor não quis destruir a individualização das personagens e vemos com certeza observar isso quando estivermos a falar nos personagens deste romance que são muitos (Vaz, Ramos, Marques, Maria, Rosa, Manuel Rato, Isabel, Joana, José Sagarra, Afonso, Paulo, entre tantos outros que viviam na clandestinidade.
Para além destes personagens, observamos o narrador, que é a voz que parece não ter nome. Ele é denominado de "Amigo" que é o personagem que visita a casa dos Pereira, como local de refúgio ou ponto de apoio. Ele representa o grande coletivo partidário.
Pese embora o número significativo de homens e mulheres, personagens deste romance, Manuel Gusmão considera este romance como um dos poucos romances portugueses de herói coletivo e também um dos poucos que tem uma narrativa fundamental, a vida, a ação e a luta do indivíduo que a configuram. Urbano Tavares Rodrigues considera o Partido a personagem principal desta epopeia de pequenos heróis.
Temos também uma personagem simbólica - a bicicleta - personagem central, símbolo de um tempo de resistência e de luta, mas também símbolo de pobreza, dado que era o veículo utilizado pelos mais pobres e que passa despercebido, cumprindo assim as duas tarefas.
Outra importante caraterística deste romance é a descrição dos lugares que´é feita com grande clareza e é bastnte visual. O leitor consegue seguir todos os passos dos personagens, num crescendo de ação. Assiste a toda a preparação do movimento social com vista à materialização da greve, nas marchas da fome e reivindicações junto das autoridades locais. Em resposta a estes protestos, surge a repressão, a prisão,a tortura e a morte.
O romance termina com uma mensagem de esperança, digamos assim, porque no final assistimos ao reerguer da Organização, pela mão de Paulo, um dos personagens, um homem que não desistiu da luta perante as dificuldades.
Termino, referindo que a escrita de Álvaro Cunhal, foi uma forma de liberdade, como mais tarde terá afirmado no seu livro "A Arte, o Artista e a Sociedade": Arte é Liberdade.
Maria Rijo
sábado, 8 de abril de 2017
Sessão especial da comunidade de leitores dedicada ao 25 de Abril - 27 de abril
Caros leitores
Estão convidados a participar neste serão literário, fora de portas, no Museu do Vinho e da Vinha, em Bucelas. Vamos discutir em liberdade o que Manuel Tiago escreveu num tempo em que o fascismo não permitia reuniões.
Manuel Tiago conta-nos a sua vida e a de muitos homens e mulheres que lutaram na clandestinidade por uma vida melhor e essencialmente pela liberdade.
Aproveitemos a liberdade para falar do livro "Até Amanhã Camaradas", para falar das nossas memórias, aprendermos uns com os outros a respeitar ideias e sermos todos mais tolerantes e melhores cidadãos.
A companhia vai ser boa!!!!!
Estão convidados a participar neste serão literário, fora de portas, no Museu do Vinho e da Vinha, em Bucelas. Vamos discutir em liberdade o que Manuel Tiago escreveu num tempo em que o fascismo não permitia reuniões.
Manuel Tiago conta-nos a sua vida e a de muitos homens e mulheres que lutaram na clandestinidade por uma vida melhor e essencialmente pela liberdade.
Aproveitemos a liberdade para falar do livro "Até Amanhã Camaradas", para falar das nossas memórias, aprendermos uns com os outros a respeitar ideias e sermos todos mais tolerantes e melhores cidadãos.
A companhia vai ser boa!!!!!
sexta-feira, 31 de março de 2017
quarta-feira, 22 de março de 2017
domingo, 19 de março de 2017
Sessão especial - 27 de abril
Caros leitores,
Terminámos a edição dedicada à literatura policial. Bem sei que foram poucas sessões, o que não sabia é que havia leitores fãs deste género literário. Fomos detetives à noite e desvendámos crimes, alguns bastante complexos.Estivemos à conversa com o escritor Richard Zimler sobre o seu livro "A Sentinela" e falámos um pouco de tudo. Passámos serões com boa conversa e boa disposição.
Uma conclusão tirámos - a literatura policial não é um género menor e, quem sabe, se um dia destes não voltamos aos policiais.
Mudamos de assunto, mas não deixamos a literatura dura. "Até Amanhã Camaradas" de Manuel Tiago é a nossa proposta para estarmos à conversa no dia 27 de abril, no Museu do Vinho e da Vinha, em Bucelas.
Nas palavras de Urbano Tavares Rodrigues é um grande livro, inesperado e onde os sentimentos mais fortes e puros do homem encontram a simplicidade e o rigor transparente da expressão.
É uma história que se passa em 1944, num país oprimido pela ditadura de Salazar.Há quem resiste e se organize para mobilizar o povo para lutar pela liberdade, mesmo que isso lhes possa custar a prisão ou mesmo a morte.
Boas leituras!
sexta-feira, 10 de março de 2017
Policiais no feminino
Disponibilizo o meu texto preparado para a apresentação da 4ª sessão desta comunidade de leitores que foi dedicada ao livro A Pena do Diabo de Minette Walters. Falou-se na literatura policial no feminino da autora e do livro que suscitou uma apaixonada discussão em torno desta obra literária.
Fomos muito British porque enquanto conversávamos, bebemos um chá inglês acompanhado com uns biscoitos.
Vale sempre a pena vir participar nesta nossa Comunidade de Leitores.
Ainda e sempre a lembrar o dia internacional da mulher que se
assinalou ontem, vamos fazer uma breve introdução à literatura
policial no feminino, comecemos então em 1794 com o primeiro romance gótico
escrito por uma mulher, Mesmo não sendo um policial, Os Mistérios do Castelo de Udolfo, de Ann Radcliffe, já introduzia
o sobrenatural e tinha uma componente de mistério, décadas antes de Edgar Allan
Poe lançar “Os Assassinatos da Rua Morgue”, conto que inaugura o policial na
literatura.
Em 1878, surgiu O Caso
Leavenworth, de Anna Katherine Green, considerado por muitos, o primeiro
romance policial, de uma autora feminina. A história aborda o assassinato
misterioso de um comerciante em N.Y., que fez um sucesso enorme entre os
leitores antes mesmo de Sherlock Holmes. Criou ainda a senhora Amelia
Butterworth, um protótipo do que viria a ser Miss Marple. Lembrar ainda Mary
Roberts Rinehart, americana que popularizou a “culpa é do mordomo” em A Porta Secreta (embora a frase,
ironicamente, nunca tenha sido dita no livro). E curiosamente é ela que inspira
Bob Kane na criação do Batman com seu personagem chamado “The Bat”.
Entre 1920 e 1930, surge a Era de Ouro do romance policial. O
leitor era agora desafiado a descobrir o criminoso através da investigação de
um detetive. Muitas mulheres adotaram deste género literário, mas Agatha
Christie foi a mais notável de todas. Com os detetives Hercule Poirot e Miss
Marple, ela é a romancista mais bem-sucedida da história da literatura
policial, com quatro mil milhões de livros vendidos. Outras autoras também
fizeram grande sucesso como Dorothy Sayers, dramaturga e tradutora de A Divina Comédia para o inglês, Margery
Allingham, Josephine Tey (pseudônimo da escocesa Elizabeth Mackintosh) e a
neozelandesa Ngaio Marsh.
Na atualidade, os temas abordados no romance policial variam
muito, ampliando as possibilidades da narrativa. Surgiram outras formas de se
relacionar com o crime e também outras formas de cometê-lo. Autoras como
Patricia Highsmith exploraram como ninguém os dramas psicológicos,
principalmente com o carismático serial killer Tom Ripley. Mildred Benson
escreveu muitas aventuras de mistério para a série Nancy Drew, e a “baronesa do
crime” PD James apoiou-se na velha escola para criar o detetive Adam Dalgliesh.
Ruth Rendell, por sua vez, escolheu o inspetor Reginald Wexford para a sua
série de policial, Anne Perry, pseudónimo de Juliet Hulme, com as suas
histórias a retrarem uma Inglaterra vitoriana.
Anna Maria Vilallonga, professora Universidade de Barcelona, especializada
em literatura policial, acredita que as mulheres, em geral, criam personagens
mais observadores e que elas “estão mais interessadas no mecanismo que leva
alguém a matar do que na violência propriamente dita”. Verdade ou não, nas
últimas décadas, a ciência, a medicina e tecnologia têm influenciado cada vez
mais os policiais. Patricia Cornwell e Tess Gerritsen cativaram milhões de
seguidores com suas personagens modernas e independentes, a primeira com a
médica legista Kay Scarpetta e a segunda com Jane Rizzoli e a legista Maura
Isles.
Na Escandinávia, nomes como Åsa Larsson, Camilla Läckberg, a
“rainha do crime noruguês” Karin Fossum, Anne Holt (ex-ministra da Justiça da
Noruega), a finlandesa Leena Lehtolainen e ainda as suecas Liza Marklund e
Alexandra Coelho Ahndoril (a segunda metade do pseudônimo Lars Kepler) e ainda Yrsa
Sigurdardóttir Islândesa (engenheira civil em Reiquiavique).
Na Europa, JK Rowling, sob o pseudonimo Robert Galbraith dedicou-se
às histórias do detetive Cormoran Strike; Donna Leon; Fred Vargas; Sophie
Hannah “ressuscitou” o ultra popular Hercule Poirot.
E ainda Minette
Walters a nossa escritora de hoje, considerada uma verdadeira revelação com os
seus violentos dramas familiares passados em cenários idílicos.
Falando um pouco da sua vida ela nasce em Inglaterra em 1949,
filha de um bispo capitão do exército e de uma artista plástica. Devido à vida
profissional do pai, os seus primeiros 10 anos de vida são passados entre bases
do exército de norte a sul de Inglaterra. O seu pai morre em 1960 e como a
própria afirma “ Fui enviada para o internato da Abadia de Godolphin, em
Salisbury, aos 12 anos, o que teve uma influência determinante para o resto da
minha vida. Foi um ano após a morte meu pai e isso obrigou-me a tornar-me muito
independente emocional e socialmente. (…)
No ano antes de entrar na Universidade de Durham, foi para
Israel como voluntária do grupo The Bridge. Ficou por lá quase sete meses a
trabalhar num Kibbutz, em hospitais e outras instituições em Jerusalém e como a
própria o dirá “imaginarão a tudo a que
assisti…”
O seu percurso universitário não foi de todo o mais
tradicional como a própria afirma “devo dizer que nos meus três anos em Durham,
trabalhei o mínimo possível, raramente assisti a palestras, e foi-me permitido
completar o curso em 3 anos, porque me recusei a passar um ano em França.” Mas
foi um tempo muito útil este porque consegui um diploma e um marido.
Na universidade o sistema era muito restritivo, então
resolveu no último ano mudar-se para um apartamento acima de uma casa
propriedade de um ex-ministro e da sua mulher. Ensinaram-na mais sobre a vida
do que em todo o tempo de Universidade.
Trabalhou em revistas, foi diretora de uma delas, publicou contos e novelas românticas que lhe
permitiam pagar as contas.
Em 1979 e em 1982 é mãe e rapidamente descobre que era
impossível trabalhar com duas crianças em casa. Em 1987 com 37 anos de idade
decide voltar a escrever mas só em 1992 edita a Casa do Gelo depois de ser rejeitada por várias editoras. Mas nada
será como antes, em apena 4 meses torna-se uma escritora revelação ganhou o
prémio da Associação dos escritores do crime John Creasey Award no reino unido
para melhor primeiro romance e foi traduzido em vários países. Tem publicado em
mais de 35 países e já foi galardoada com várias distinções de entre as mais
importantes destacam-se o Edgar Allan Poe Award para o melhor romance policial
nos Estados Unidos foi premiada também CWA Golden Daggers na categoria de
ficção, assim como o Grand Prix des Lectrices d’Elle em França. Os seus cinco
livros iniciais foram adaptados para televisão pela BBC e transmitidos não só
no Reino Unido como no resto do mundo.
O romance que vamos hoje analisar é o seu 10º Romance.
Será um policial, um thriller psicológico, Suspense…
Certo é que a imaginação é também ela uma personagem
principal…
Protagonistas enérgicas, e personagens femininas cuja
ambiguidade faz com que sejam incluídas entre os suspeitos, algo que é
característico desta autora.
E o que dizer do final…
a dúvida, essa, fica mesmo para além
do ponto final.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
4ª Sessão "DETETIVES À NOITE" - Um policial no feminino.
A última sessão de "Detetives à Noite" a realizar na Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, é já no dia 9 de Março às 21h00.
Este é um policial no feminino onde iremos desvendar o mistério que se esconde por detrás da morte de cinco mulheres, brutalmente assassinadas, na Serra Leoa.
Até já e boas leituras.
Uma triste realidade...
Ler na escola
A criação de um Plano Nacional de Leitura – o nosso PNL, mas também muitos outros espalhados pelo mundo (lembro-me, por exemplo, de un Plan de Lectura na Argentina) – é fundamental, antes de mais, para que todos os alunos, venham de onde vierem, possam aceder ao livro em igualdade de oportunidades. Isso, para mim, é o mais importante, pois todos sabemos que há famílias que não têm um único livro em casa e que, se não for a escola a disponibilizá-los, muitas crianças não poderão ler livros e experimentar o prazer da leitura. Claro que o aconselhamento de certas obras para determinado grau de ensino ou idade é interessante, mas não deve ser tomado como um espartilho: não há ninguém que conheça melhor o nível intelectual ou os hábitos de leitura de uma turma como o seu próprio professor e, assim sendo, a lista de recomendações de um Plano de Leitura (cá, lá e em toda a parte) deveria ser apenas um guia de sugestões. Muitas vezes, porém, não é. E porquê? Pois, agora vou chegar à parte difícil. É que há mesmo muitos professores que não lêem absolutamente nada e, quando têm de propor a leitura de uma obra aos seus alunos, imediatamente consultam a lista pois não saberiam de outro modo o que aconselhar. Li um artigo sobre o assunto, em que uma coordenadora de leitura, no Brasil, foi a uma escola em que os professores não tinham a mínima ideia de como motivar os alunos para a leitura; e, quando ela lhes pediu que trouxessem um livro de que tivessem gostado e falassem dele, bem… percebeu que não tinham lido nenhum livro nos últimos dois anos. Será que os Planos de Leitura de todo o mundo não deveriam também sugerir obras a professores?
Maria do Rosário Pedreira do Blog Horas Extraordinárias 20/01/2017
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Um fim de tarde com Richard Zimler
A terceira sessão da Comunidade
de Leitores contou com a presença do escritor Richard Zimler que gostou da
“surpresa” contada uns minutinhos antes, durante a viagem até à Biblioteca
Municipal Ary dos Santos, da leitura encenada de um excerto da sua obra,
protagonizada por dois dos leitores desta comunidade – Carlos Santos e Alfredo
Santos. Depois de ficarmos a conhecer dois dos personagens da obra em discussão
“A Sentinela”, Henrique Monroe e o seu irmão Ernie, quisemos saber afinal quem
era A Sentinela que habitava no corpo de Henrique Monroe, Inspetor Chefe da
Polícia Judiciária, com a árdua tarefa de desvendar o crime de Pedro Coutinho.
Zimler contou-nos tudo. Contou-nos como surgiu o nome para o título, “Night Watchman”.Mas como escreve em inglês, traduzido
ficava qualquer coisa como “ O guarda-noturno”, o que não podia ser. Então, o
Alexandre foi quem sugeriu o título, tal qual o conhecemos “A Sentinela”.
Contou-nos também como surgiu a ideia para escrever o romance. Estava em Nova
Iorque, numa livraria, e deparou-se com um livro de psicologia, porque gosta de
ler temas diversificados, e, a partir do assunto desse livro que falava da
perturbação dissociativa de identidade, surgiu a ideia chave para o seu romance.
Já todos sabemos que a literatura
tem um poder enorme, e, por isso mesmo, a conversa fluiu por muitos assuntos, a
partir da história do livro. Falámos de assuntos muito sérios e que fazem crescer,
dentro de nós, uma certa raiva, assuntos que nos incomodam, como o são os
abusos a menores e a violência doméstica. O escritor falou do seu caso pessoal
e muitos de nós pensámos que também já sofremos ou assistimos a situações
dessas e, provavelmente fomos aos nossos baús da memória, onde guardamos os
nossos silêncios, incapazes de se tornarem públicos, embora seja preciso
falarmos das coisas que nos revoltam, como o fez Zimler com grande coragem.
Falámos de política, de políticos
e de corrupção, nomeámos alguns nomes portugueses que passaram pela governação
do país, há poucos anos, falámos de Bush, de Trump e de outros políticos que
chegam ao poder, sem filtragem a funcionar, na opinião do escritor. Sugeriu que
alguns desses políticos (não dizemos quais) deveriam ter sido rececionistas de
hotel, vendedores de perfumes ou mulheres da limpeza da biblioteca, sem
desprestígio para as pessoas que têm essas profissões. Explicou-nos ainda que
usou os nomes de alguns políticos de então (2012) para tornar o romance
realista, o que é natural na cultura anglo-saxónica, acrescentando ainda que
não teve qualquer problema ou medo de represálias porque tinha a certeza que
aqueles políticos não leem literatura.
Outras conversas surgiram à volta
da obra já extensa de Richard Zimler, como a história judaica, numa sessão
muito participada e calorosa. No final, Richard Zimler deu autógrafos e
conversou com os seus leitores.
A Biblioteca é um mundo cheio de
palavras e afetos. Venha fazer parte dele!
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
2ª sessão - Detetives à noite
À volta da
luz das velas num espaço motivador- a Mercearia Santana, uma pérola da
edificação histórica de Sacavém – começou, precisamente às 21 horas e 37
minutos, a Comunidade de Leitores dedicada a Edgar Allan Poe criador das enigmáticas
e petulantes figuras do detetive privado e do género policial...
“Dupin lembra-se, decerto que se lembra, da
Gazette des Tribunaux de ontem que reportava uns estranhos crimes no bairro de
St. Roch, num 4º andar de um prédio da Rua Morque? E que terminava com a
afirmação de não existir a mais leve pista para resolver aquela carnificina.
Pois hoje a Gazzete de hoje tem mais
desenvolvimentos, ora oiça: (…)”
E assim os
Mistérios da Rua Morgue foi-se dando à revelação da comunidade presente,
através de uma leitura encenada realizada pelas colegas Rita Pitada e Vera
Morganheira.
“Vamos, depressa meu amigo, Vamos ao
local do crime.”
Não fomos ao local do crime, por impossibilidade
literária, optamos por ir ao encontro da vida e da obra de Edgar Allan Poe, e
porque ainda que no mesmo caminho cada caminheiro vê ou é mais atento a
determinados detalhes, e gosta ou não da paisagem, também aqui as opiniões e o
gosto pela obra de Edgar Allan Poe foram diferenciadas, ficando no fim o
consenso que é a Poe que devemos este estilo literário e o nascimento desses
personagens, para quem é amante do estilo, nos deliciam e agarram aos
policiais.do blog Horas Extraordinárias
Uma boa história
Maria do Rosário Pedreira
Uma aldeia situada a cerca de trinta e cinco quilómetros de Burgos saltou do anonimato para as parangonas dos jornais do país vizinho. É um lugar chamado Quintanalara, de apenas quatro ruas, casas de pedra de um só piso e, segundo o censo, uns míseros 33 habitantes (embora só nove vivam lá durante todo o ano). E, porém, ao contrário de aldeias e vilas de outra dimensão, acaba de construir uma biblioteca, e uma biblioteca de 16 000 volumes! Estes foram doados, na maioria, por particulares que herdaram bibliotecas de família que não cabiam nas suas casas, mas também por universidades, como a de Navarra, que se apaixonou pela iniciativa e mandou um camião cheio de livros. E o que é espantoso é que esta biblioteca, estando no meio rural, fica aberta dia e noite (sim, vinte e quatro horas por dia!) e não é um lugar de empréstimo, mas de troca: quem lá for buscar um livro tem de deixar outro, para que o número de volumes não diminua (a biblioteca está, de resto, incluída na rede de bookcrossing como um dos pontos de troca de livros mais bem apetrechados). Os responsáveis crêem que este pequeno templo milagroso atrairá pessoas a Quintanalara e projectam realizar ali conferências e apresentações de livros, não apenas para os habitantes locais (que não encheriam a sala) mas para gente das terras das redondezas que não têm grande oferta e para turistas e gente que ficou curiosa com a notícia. Propõem, aliás, o plano ideal para um fim-de-semana: visitar o património românico da zona e terminar o passeio na biblioteca, com uma boa história! Não sei porquê, mas já me estou a ver a ir a Quintanalara…
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Comunidade de Leitores 2016 - 1ª Sessão
Numa noite fria e chuvosa demos inicio à 1ª sessão desta
edição dedicada à literatura policial.
Começamos com literatura policial nórdica com o livro “ O
guardião das causas perdidas” do dinamarquês Jussi Adler-Olsen.
Foi apresentada uma leitura encenada da obra num ambiente
escuro e tenebroso que pôs o nosso coração a bater mais depressa, criando o
ambiente ideal para a conversa que se deu de forma agradável, apesar do tema.
A dura privação da vítima
Merette Lyngaard, a relação dinâmica do detetive Carl Morck e do seu assistente
sírio Assad proporcionaram-nos momentos deliciosos, irónicos e sarcásticos como
os nórdicos sabem muito bem ser.
Durante muito tempo tínhamos dos países nórdicos a ideia de
uma espécie de subcontinente cheio de felicidade, lagos, neve, liberdade
sexual, bem estas social e um crescimento económico contínuo, mas constatamos
que estes ditos paraísos tinham produzido monstros, vítimas e horrores, tudo
escondido sob aquele manto de neve e de felicidade em que só a neve era real.
Ao contrário da “inocência” dos romances policiais clássicos, alguns dos autores nórdicos assumiram compromissos políticos que põem a nu corrupção e a ganância das empresas, o atropelo aos cidadãos pelo Estado e pelos grandes interesses.
sábado, 24 de dezembro de 2016
Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures
Com a abertura de uma nova
Biblioteca Municipal no concelho de Loures, na sua zona oriental, em Sacavém –
a Biblioteca Municipal Ary dos Santos – inaugurada a 4 de junho de 2016
originou uma pausa nas reuniões desta Comunidade de Leitores. Foi por uma boa razão
porque todos ganhámos com a abertura de mais uma Biblioteca Pública ao serviço
da população.
Não estivemos propriamente
parados porque entretanto alguns de nós participámos no 1º Encontro de
Comunidades de Leitores de Bibliotecas Públicas, que decorreu no concelho da
Maia, como aliás já noticiámos aqui. Experiência bastante gratificante.
Voltámos agora com uma nova
designação - Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures (Biblioteca
Municipal José Saramago e Biblioteca Municipal Ary dos Santos). No dia 15 de dezembro
iniciámos mais uma edição, desta vez, dedicada à literatura policial “Detetives
à noite”. Teremos assim que desvendar crimes durante as quatro sessões programadas. Teremos
ainda o prazer de estar à conversa com o escritor Richard Zimler e ficarmos a
saber tudo sobre quem é a sentinela do seu livro “A Sentinela”, isto no dia 11
de fevereiro.
Desejamos a todos Boas Festas e
muitas leituras e que nos reencontremos dia 12 de janeiro, pelas 21H00, na
Mercearia Santana, em Sacavém para desvendar mais um crime, desta vez guiados
pela mão de Edgar Allan Poe, designado como o “pai” deste género literário, o
que só por si é um bom indicador de qualidade.
Boas Festas e Boas Leituras!
O Natal dos Poetas
Numa
noite em que nasciam
crianças
aos milhares
e
outras morriam sem assistência médica
e
outras morriam brincando com bombas
e
outras morriam esmagadas
por
fugitivos automóveis;
numa
noite de Inverno,
numa
noite de névoa
sobre
os barcos sem equipagem junto ao rio;
numa
noite de ruas desertas e casas fechadas
aos
que andavam perdidos e sozinhos,
três
poetas sentaram-se a uma mesa
e
decretaram a paz e a alegria
E
decretaram a paz
para
os que, cabelos soltos nas mãos das noites frias,
viviam
na cidade onde agora estavam,
respiravam
o mesmo ar
e
liam as mesmas notícias dos jornais.
E
decretaram a paz
para
os que tinham
os
olhos riscados pelos dedos do medo.
E
decretaram a paz
para
os que traziam
a
angústia dos dias misturada no sangue.
E
decretaram a alegria
para
as crianças que estavam nascendo em todo o mundo.
E
decretaram a alegria
para
as jovens que sentiam os seios despontar.
E
decretaram a alegria
para
as mulheres que eram mães.
E
decretaram a alegria
para
todos os seres.
Foi
então que Jesus Cristo
nascido
há quase mil
novecentos
e sessenta anos,
sorriu
no céu que cobria a mesa
onde
três poetas se tinham sentado
para
decretar a paz e a alegria.
[António
Rebordão Navarro]
[Porto,
1933]
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Detectives à noite - Vamos desvendar crimes!
As Bibliotecas Municipais de Loures vão dar início a mais uma
série da Comunidade de Leitores, desta vez a decorrer em Sacavém e em Loures.
A primeira sessão é já dia 15 de dezembro, na Biblioteca
Municipal Ary dos Santos, em Sacavém. O tema é aliciante: grandes obras da
literatura policial.
A participação requer inscrição
prévia, para os contactos indicados no cartaz.
sábado, 29 de outubro de 2016
Loures esteve presente no 1º Encontro de Comunidades de Leitores de Bibliotecas Públicas
A nossa Comunidade de Leitores esteve presente neste Encontro Nacional e apresentou uma comunicação escrita com apresentação de PowerPoint. Falámos dos nossos serões literários - dos livros, de nós, das pessoas que já passaram por lá e sobretudo do bem que estes encontros nos fazem. A experiência foi muito interessante porque para além do convívio entre os nossos leitores (de Loures fomos 7), partilhámos as nossas experiências e vivências com leitores de outras Comunidades de Leitores do País, desde o Alentejo ao Minho. Muito bom.
Fomos muito bem recebidos pela Comunidade de Leitores da Maia que estão de parabéns pela organização deste evento.
Para quem não pode participar neste 1º Encontro, adiantamos em primeira mão, que haverá um segundo Encontro de Comunidades de Leitores.
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