sábado, 8 de abril de 2017

Sessão especial da comunidade de leitores dedicada ao 25 de Abril - 27 de abril

Caros leitores
Estão convidados a  participar neste serão literário, fora de portas, no Museu do Vinho e da Vinha, em Bucelas. Vamos discutir em liberdade o que Manuel Tiago escreveu num tempo em que o fascismo não permitia reuniões.

Manuel Tiago conta-nos a sua vida e a de muitos homens e mulheres que lutaram na clandestinidade por uma vida melhor e essencialmente pela liberdade.

Aproveitemos a liberdade  para falar do livro "Até Amanhã Camaradas", para falar das nossas memórias, aprendermos uns com os outros a respeitar ideias e sermos todos mais tolerantes e  melhores cidadãos.

A companhia vai ser boa!!!!!


domingo, 19 de março de 2017

Sessão especial - 27 de abril



Caros leitores,
Terminámos a edição dedicada à literatura policial. Bem sei que foram poucas sessões, o que não sabia é que havia leitores fãs deste género literário. Fomos detetives à noite e desvendámos crimes, alguns bastante complexos.Estivemos à conversa com o escritor Richard Zimler sobre o seu  livro "A Sentinela" e falámos um pouco de tudo. Passámos serões com boa conversa e boa disposição.
Uma conclusão tirámos - a literatura policial não é um género menor e, quem sabe, se um dia destes não voltamos aos policiais.



Mudamos de assunto, mas  não deixamos a literatura dura. "Até Amanhã Camaradas" de Manuel Tiago é a nossa proposta para estarmos à conversa no dia 27 de abril, no Museu do Vinho e da Vinha, em Bucelas.

Nas palavras de Urbano Tavares Rodrigues é um grande livro, inesperado e onde os sentimentos mais fortes e puros do homem encontram a simplicidade e o rigor transparente da expressão.

É uma história que se passa em 1944, num país oprimido pela ditadura de Salazar.Há quem resiste e se organize para mobilizar o povo para lutar pela liberdade, mesmo que isso lhes possa custar a prisão ou mesmo a morte.



Boas leituras!





sexta-feira, 10 de março de 2017

Policiais no feminino


 Disponibilizo o meu texto preparado para a apresentação da 4ª sessão desta comunidade de leitores que foi dedicada ao livro A Pena do Diabo de Minette Walters. Falou-se na literatura policial no feminino da autora e do livro que suscitou uma apaixonada discussão em torno desta obra literária.
Fomos muito British porque enquanto conversávamos, bebemos um chá inglês acompanhado com uns biscoitos.
Vale sempre a pena vir participar nesta nossa Comunidade de Leitores.

Ainda e sempre a lembrar o dia internacional da mulher que se assinalou ontem, vamos fazer uma breve introdução à literatura policial no feminino, comecemos então em 1794 com o primeiro romance gótico escrito por uma mulher, Mesmo não sendo um policial, Os Mistérios do Castelo de Udolfo, de Ann Radcliffe, já introduzia o sobrenatural e tinha uma componente de mistério, décadas antes de Edgar Allan Poe lançar “Os Assassinatos da Rua Morgue”, conto que inaugura o policial na literatura. 
Em 1878, surgiu O Caso Leavenworth, de Anna Katherine Green, considerado por muitos, o primeiro romance policial, de uma autora feminina. A história aborda o assassinato misterioso de um comerciante em N.Y., que fez um sucesso enorme entre os leitores antes mesmo de Sherlock Holmes. Criou ainda a senhora Amelia Butterworth, um protótipo do que viria a ser Miss Marple. Lembrar ainda Mary Roberts Rinehart, americana que popularizou a “culpa é do mordomo” em A Porta Secreta (embora a frase, ironicamente, nunca tenha sido dita no livro). E curiosamente é ela que inspira Bob Kane na criação do Batman com seu personagem chamado “The Bat”. 
Entre 1920 e 1930, surge a Era de Ouro do romance policial. O leitor era agora desafiado a descobrir o criminoso através da investigação de um detetive. Muitas mulheres adotaram deste género literário, mas Agatha Christie foi a mais notável de todas. Com os detetives Hercule Poirot e Miss Marple, ela é a romancista mais bem-sucedida da história da literatura policial, com quatro mil milhões de livros vendidos. Outras autoras também fizeram grande sucesso como Dorothy Sayers, dramaturga e tradutora de A Divina Comédia para o inglês, Margery Allingham, Josephine Tey (pseudônimo da escocesa Elizabeth Mackintosh) e a neozelandesa Ngaio Marsh.
Na atualidade, os temas abordados no romance policial variam muito, ampliando as possibilidades da narrativa. Surgiram outras formas de se relacionar com o crime e também outras formas de cometê-lo. Autoras como Patricia Highsmith exploraram como ninguém os dramas psicológicos, principalmente com o carismático serial killer Tom Ripley. Mildred Benson escreveu muitas aventuras de mistério para a série Nancy Drew, e a “baronesa do crime” PD James apoiou-se na velha escola para criar o detetive Adam Dalgliesh. Ruth Rendell, por sua vez, escolheu o inspetor Reginald Wexford para a sua série de policial, Anne Perry, pseudónimo de Juliet Hulme, com as suas histórias a retrarem uma Inglaterra vitoriana.
Anna Maria Vilallonga, professora Universidade de Barcelona, especializada em literatura policial, acredita que as mulheres, em geral, criam personagens mais observadores e que elas “estão mais interessadas no mecanismo que leva alguém a matar do que na violência propriamente dita”. Verdade ou não, nas últimas décadas, a ciência, a medicina e tecnologia têm influenciado cada vez mais os policiais. Patricia Cornwell e Tess Gerritsen cativaram milhões de seguidores com suas personagens modernas e independentes, a primeira com a médica legista Kay Scarpetta e a segunda com Jane Rizzoli e a legista Maura Isles. 
Na Escandinávia, nomes como Åsa Larsson, Camilla Läckberg, a “rainha do crime noruguês” Karin Fossum, Anne Holt (ex-ministra da Justiça da Noruega), a finlandesa Leena Lehtolainen e ainda as suecas Liza Marklund e Alexandra Coelho Ahndoril (a segunda metade do pseudônimo Lars Kepler) e ainda Yrsa Sigurdardóttir Islândesa (engenheira civil em Reiquiavique).
Na Europa, JK Rowling, sob o pseudonimo Robert Galbraith dedicou-se às histórias do detetive Cormoran Strike; Donna Leon; Fred Vargas; Sophie Hannah “ressuscitou” o ultra popular Hercule Poirot.
 E ainda Minette Walters a nossa escritora de hoje, considerada uma verdadeira revelação com os seus violentos dramas familiares passados em cenários idílicos.
Falando um pouco da sua vida ela nasce em Inglaterra em 1949, filha de um bispo capitão do exército e de uma artista plástica. Devido à vida profissional do pai, os seus primeiros 10 anos de vida são passados entre bases do exército de norte a sul de Inglaterra. O seu pai morre em 1960 e como a própria afirma “ Fui enviada para o internato da Abadia de Godolphin, em Salisbury, aos 12 anos, o que teve uma influência determinante para o resto da minha vida. Foi um ano após a morte meu pai e isso obrigou-me a tornar-me muito independente emocional e socialmente. (…)
No ano antes de entrar na Universidade de Durham, foi para Israel como voluntária do grupo The Bridge. Ficou por lá quase sete meses a trabalhar num Kibbutz, em hospitais e outras instituições em Jerusalém e como a própria o dirá   “imaginarão a tudo a que assisti…”
O seu percurso universitário não foi de todo o mais tradicional como a própria afirma “devo dizer que nos meus três anos em Durham, trabalhei o mínimo possível, raramente assisti a palestras, e foi-me permitido completar o curso em 3 anos, porque me recusei a passar um ano em França.” Mas foi um tempo muito útil este porque consegui um diploma e um marido.
Na universidade o sistema era muito restritivo, então resolveu no último ano mudar-se para um apartamento acima de uma casa propriedade de um ex-ministro e da sua mulher. Ensinaram-na mais sobre a vida do que em todo o tempo de Universidade.
Trabalhou em revistas, foi diretora de uma delas,  publicou contos e novelas românticas que lhe permitiam pagar as contas.
Em 1979 e em 1982 é mãe e rapidamente descobre que era impossível trabalhar com duas crianças em casa. Em 1987 com 37 anos de idade decide voltar a escrever mas só em 1992 edita a Casa do Gelo depois de ser rejeitada por várias editoras. Mas nada será como antes, em apena 4 meses torna-se uma escritora revelação ganhou o prémio da Associação dos escritores do crime John Creasey Award no reino unido para melhor primeiro romance e foi traduzido em vários países. Tem publicado em mais de 35 países e já foi galardoada com várias distinções de entre as mais importantes destacam-se o Edgar Allan Poe Award para o melhor romance policial nos Estados Unidos foi premiada também CWA Golden Daggers na categoria de ficção, assim como o Grand Prix des Lectrices d’Elle em França. Os seus cinco livros iniciais foram adaptados para televisão pela BBC e transmitidos não só no Reino Unido como no resto do mundo. 

O romance que vamos hoje analisar é o seu 10º Romance.
Será um policial, um thriller psicológico, Suspense…
Certo é que a imaginação é também ela uma personagem principal…
Protagonistas enérgicas, e personagens femininas cuja ambiguidade faz com que sejam incluídas entre os suspeitos, algo que é característico desta autora.
E o que dizer do final…      a dúvida, essa,     fica mesmo para além do ponto final.

Rita Pitada




 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

4ª Sessão "DETETIVES À NOITE" - Um policial no feminino.

A Pena do Diabo



A última sessão de "Detetives à Noite" a realizar na Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, é já no dia 9 de Março às 21h00.
 
Este é um policial no feminino onde iremos desvendar o mistério que se esconde por detrás da morte de cinco mulheres, brutalmente assassinadas, na Serra Leoa.
 
Até já e boas leituras.
 
 
 
 
 
 






 
Uma triste realidade...

Ler na escola

 
A criação de um Plano Nacional de Leitura – o nosso PNL, mas também muitos outros espalhados pelo mundo (lembro-me, por exemplo, de un Plan de Lectura na Argentina) – é fundamental, antes de mais, para que todos os alunos, venham de onde vierem, possam aceder ao livro em igualdade de oportunidades. Isso, para mim, é o mais importante, pois todos sabemos que há famílias que não têm um único livro em casa e que, se não for a escola a disponibilizá-los, muitas crianças não poderão ler livros e experimentar o prazer da leitura. Claro que o aconselhamento de certas obras para determinado grau de ensino ou idade é interessante, mas não deve ser tomado como um espartilho:  não há ninguém que conheça melhor o nível intelectual ou os hábitos de leitura de uma turma como o seu próprio professor e, assim sendo, a lista de recomendações de um Plano de Leitura (cá, lá e em toda a parte) deveria ser apenas um guia de sugestões. Muitas vezes, porém, não é. E porquê? Pois, agora vou chegar à parte difícil. É que há mesmo muitos professores que não lêem absolutamente nada e, quando têm de propor a leitura de uma obra aos seus alunos, imediatamente consultam a lista pois não saberiam de outro modo o que aconselhar. Li um artigo sobre o assunto, em que uma coordenadora de leitura, no Brasil, foi a uma escola em que os professores não tinham a mínima ideia de como motivar os alunos para a leitura; e, quando ela lhes pediu que trouxessem um livro de que tivessem gostado e falassem dele, bem… percebeu que não tinham lido nenhum livro nos últimos dois anos. Será que os Planos de Leitura de todo o mundo não deveriam também sugerir obras a professores?
 
Maria do Rosário Pedreira do Blog Horas Extraordinárias 20/01/2017