segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Um fim de tarde com Richard Zimler

A terceira sessão da Comunidade de Leitores contou com a presença do escritor Richard Zimler que gostou da “surpresa” contada uns minutinhos antes, durante a viagem até à Biblioteca Municipal Ary dos Santos, da leitura encenada de um excerto da sua obra, protagonizada por dois dos leitores desta comunidade – Carlos Santos e Alfredo Santos. Depois de ficarmos a conhecer dois dos personagens da obra em discussão “A Sentinela”, Henrique Monroe e o seu irmão Ernie, quisemos saber afinal quem era A Sentinela que habitava no corpo de Henrique Monroe, Inspetor Chefe da Polícia Judiciária, com a árdua tarefa de desvendar o crime de Pedro Coutinho. Zimler contou-nos tudo. Contou-nos como surgiu o nome para o título, “Night  Watchman”.Mas como escreve em inglês, traduzido ficava qualquer coisa como “ O guarda-noturno”, o que não podia ser. Então, o Alexandre foi quem sugeriu o título, tal qual o conhecemos “A Sentinela”. Contou-nos também como surgiu a ideia para escrever o romance. Estava em Nova Iorque, numa livraria, e deparou-se com um livro de psicologia, porque gosta de ler temas diversificados, e, a partir do assunto desse livro que falava da perturbação dissociativa de identidade, surgiu a ideia chave para o seu romance.
Já todos sabemos que a literatura tem um poder enorme, e, por isso mesmo, a conversa fluiu por muitos assuntos, a partir da história do livro. Falámos de assuntos muito sérios e que fazem crescer, dentro de nós, uma certa raiva, assuntos que nos incomodam, como o são os abusos a menores e a violência doméstica. O escritor falou do seu caso pessoal e muitos de nós pensámos que também já sofremos ou assistimos a situações dessas e, provavelmente fomos aos nossos baús da memória, onde guardamos os nossos silêncios, incapazes de se tornarem públicos, embora seja preciso falarmos das coisas que nos revoltam, como o fez Zimler com grande coragem.
Falámos de política, de políticos e de corrupção, nomeámos alguns nomes portugueses que passaram pela governação do país, há poucos anos, falámos de Bush, de Trump e de outros políticos que chegam ao poder, sem filtragem a funcionar, na opinião do escritor. Sugeriu que alguns desses políticos (não dizemos quais) deveriam ter sido rececionistas de hotel, vendedores de perfumes ou mulheres da limpeza da biblioteca, sem desprestígio para as pessoas que têm essas profissões. Explicou-nos ainda que usou os nomes de alguns políticos de então (2012) para tornar o romance realista, o que é natural na cultura anglo-saxónica, acrescentando ainda que não teve qualquer problema ou medo de represálias porque tinha a certeza que aqueles políticos não leem literatura.
Outras conversas surgiram à volta da obra já extensa de Richard Zimler, como a história judaica, numa sessão muito participada e calorosa. No final, Richard Zimler deu autógrafos e conversou com os seus leitores.

A Biblioteca é um mundo cheio de palavras e afetos. Venha fazer parte dele!





quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

2ª sessão - Detetives à noite


À volta da luz das velas num espaço motivador- a Mercearia Santana, uma pérola da edificação histórica de Sacavém – começou, precisamente às 21 horas e 37 minutos, a Comunidade de Leitores dedicada a Edgar Allan Poe criador das enigmáticas e petulantes figuras do detetive privado e do género policial...

 Dupin lembra-se, decerto que se lembra, da Gazette des Tribunaux de ontem que reportava uns estranhos crimes no bairro de St. Roch, num 4º andar de um prédio da Rua Morque? E que terminava com a afirmação de não existir a mais leve pista para resolver aquela carnificina.

Pois hoje a Gazzete de hoje tem mais desenvolvimentos, ora oiça: (…)

E assim os Mistérios da Rua Morgue foi-se dando à revelação da comunidade presente, através de uma leitura encenada realizada pelas colegas Rita Pitada e Vera Morganheira.

“Vamos, depressa meu amigo, Vamos ao local do crime.”
Não fomos ao local do crime, por impossibilidade literária, optamos por ir ao encontro da vida e da obra de Edgar Allan Poe, e porque ainda que no mesmo caminho cada caminheiro vê ou é mais atento a determinados detalhes, e gosta ou não da paisagem, também aqui as opiniões e o gosto pela obra de Edgar Allan Poe foram diferenciadas, ficando no fim o consenso que é a Poe que devemos este estilo literário e o nascimento desses personagens, para quem é amante do estilo, nos deliciam e agarram aos policiais.




do blog Horas Extraordinárias

Uma boa história

Maria do Rosário Pedreira

Uma aldeia situada a cerca de trinta e cinco quilómetros de Burgos saltou do anonimato para as parangonas dos jornais do país vizinho. É um lugar chamado Quintanalara, de apenas quatro ruas, casas de pedra de um só piso e, segundo o censo, uns míseros 33 habitantes (embora só nove vivam lá durante todo o ano). E, porém, ao contrário de aldeias e vilas de outra dimensão, acaba de construir uma biblioteca, e uma biblioteca de 16 000 volumes! Estes foram doados, na maioria, por particulares que herdaram bibliotecas de família que não cabiam nas suas casas, mas também por universidades, como a de Navarra, que se apaixonou pela iniciativa e mandou um camião cheio de livros. E o que é espantoso é que esta biblioteca, estando no meio rural, fica aberta dia e noite (sim, vinte e quatro horas por dia!) e não é um lugar de empréstimo, mas de troca: quem lá for buscar um livro tem de deixar outro, para que o número de volumes não diminua (a biblioteca está, de resto, incluída na rede de bookcrossing como um dos pontos de troca de livros mais bem apetrechados). Os responsáveis crêem que este pequeno templo milagroso atrairá pessoas a Quintanalara e projectam realizar ali conferências e apresentações de livros, não apenas para os habitantes locais (que não encheriam a sala) mas para gente das terras das redondezas que não têm grande oferta e para turistas e gente que ficou curiosa com a notícia. Propõem, aliás, o plano ideal para um fim-de-semana: visitar o património românico da zona e terminar o passeio na biblioteca, com uma boa história! Não sei porquê, mas já me estou a ver a ir a Quintanalara…

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Comunidade de Leitores 2016 - 1ª Sessão

Numa noite fria e chuvosa demos inicio à 1ª sessão desta edição dedicada à literatura policial.

Começamos com literatura policial nórdica com o livro “ O guardião das causas perdidas” do dinamarquês Jussi Adler-Olsen.

Foi apresentada uma leitura encenada da obra num ambiente escuro e tenebroso que pôs o nosso coração a bater mais depressa, criando o ambiente ideal para a conversa que se deu de forma agradável, apesar do tema.

 A dura privação da vítima Merette Lyngaard, a relação dinâmica do detetive Carl Morck e do seu assistente sírio Assad proporcionaram-nos momentos deliciosos, irónicos e sarcásticos como os nórdicos sabem muito bem ser.

Durante muito tempo tínhamos dos países nórdicos a ideia de uma espécie de subcontinente cheio de felicidade, lagos, neve, liberdade sexual, bem estas social e um crescimento económico contínuo, mas constatamos que estes ditos paraísos tinham produzido monstros, vítimas e horrores, tudo escondido sob aquele manto de neve e de felicidade em que só a neve era real.

Ao contrário da “inocência” dos romances policiais clássicos, alguns dos autores nórdicos assumiram compromissos políticos que põem a nu corrupção e a ganância das empresas, o atropelo aos cidadãos pelo Estado e pelos grandes interesses.







sábado, 24 de dezembro de 2016

Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures

Com a abertura de uma nova Biblioteca Municipal no concelho de Loures, na sua zona oriental, em Sacavém – a Biblioteca Municipal Ary dos Santos – inaugurada a 4 de junho de 2016 originou uma pausa nas reuniões desta Comunidade de Leitores. Foi por uma boa razão porque todos ganhámos com a abertura de mais uma Biblioteca Pública ao serviço da população.

Não estivemos propriamente parados porque entretanto alguns de nós participámos no 1º Encontro de Comunidades de Leitores de Bibliotecas Públicas, que decorreu no concelho da Maia, como aliás já noticiámos aqui. Experiência bastante gratificante.

Voltámos agora com uma nova designação - Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures (Biblioteca Municipal José Saramago e Biblioteca Municipal Ary dos Santos). No dia 15 de dezembro iniciámos mais uma edição, desta vez, dedicada à literatura policial “Detetives à noite”. Teremos assim que  desvendar  crimes durante as quatro sessões programadas. Teremos ainda o prazer de estar à conversa com o escritor Richard Zimler e ficarmos a saber tudo sobre quem é a sentinela do seu livro “A Sentinela”, isto no dia 11 de fevereiro.

Desejamos a todos Boas Festas e muitas leituras e que nos reencontremos dia 12 de janeiro, pelas 21H00, na Mercearia Santana, em Sacavém para desvendar mais um crime, desta vez guiados pela mão de Edgar Allan Poe, designado como o “pai” deste género literário, o que só por si é um bom indicador de qualidade.


Boas Festas e Boas Leituras!