terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
2ª sessão - Detetives à noite
À volta da
luz das velas num espaço motivador- a Mercearia Santana, uma pérola da
edificação histórica de Sacavém – começou, precisamente às 21 horas e 37
minutos, a Comunidade de Leitores dedicada a Edgar Allan Poe criador das enigmáticas
e petulantes figuras do detetive privado e do género policial...
“Dupin lembra-se, decerto que se lembra, da
Gazette des Tribunaux de ontem que reportava uns estranhos crimes no bairro de
St. Roch, num 4º andar de um prédio da Rua Morque? E que terminava com a
afirmação de não existir a mais leve pista para resolver aquela carnificina.
Pois hoje a Gazzete de hoje tem mais
desenvolvimentos, ora oiça: (…)”
E assim os
Mistérios da Rua Morgue foi-se dando à revelação da comunidade presente,
através de uma leitura encenada realizada pelas colegas Rita Pitada e Vera
Morganheira.
“Vamos, depressa meu amigo, Vamos ao
local do crime.”
Não fomos ao local do crime, por impossibilidade
literária, optamos por ir ao encontro da vida e da obra de Edgar Allan Poe, e
porque ainda que no mesmo caminho cada caminheiro vê ou é mais atento a
determinados detalhes, e gosta ou não da paisagem, também aqui as opiniões e o
gosto pela obra de Edgar Allan Poe foram diferenciadas, ficando no fim o
consenso que é a Poe que devemos este estilo literário e o nascimento desses
personagens, para quem é amante do estilo, nos deliciam e agarram aos
policiais.do blog Horas Extraordinárias
Uma boa história
Maria do Rosário Pedreira
Uma aldeia situada a cerca de trinta e cinco quilómetros de Burgos saltou do anonimato para as parangonas dos jornais do país vizinho. É um lugar chamado Quintanalara, de apenas quatro ruas, casas de pedra de um só piso e, segundo o censo, uns míseros 33 habitantes (embora só nove vivam lá durante todo o ano). E, porém, ao contrário de aldeias e vilas de outra dimensão, acaba de construir uma biblioteca, e uma biblioteca de 16 000 volumes! Estes foram doados, na maioria, por particulares que herdaram bibliotecas de família que não cabiam nas suas casas, mas também por universidades, como a de Navarra, que se apaixonou pela iniciativa e mandou um camião cheio de livros. E o que é espantoso é que esta biblioteca, estando no meio rural, fica aberta dia e noite (sim, vinte e quatro horas por dia!) e não é um lugar de empréstimo, mas de troca: quem lá for buscar um livro tem de deixar outro, para que o número de volumes não diminua (a biblioteca está, de resto, incluída na rede de bookcrossing como um dos pontos de troca de livros mais bem apetrechados). Os responsáveis crêem que este pequeno templo milagroso atrairá pessoas a Quintanalara e projectam realizar ali conferências e apresentações de livros, não apenas para os habitantes locais (que não encheriam a sala) mas para gente das terras das redondezas que não têm grande oferta e para turistas e gente que ficou curiosa com a notícia. Propõem, aliás, o plano ideal para um fim-de-semana: visitar o património românico da zona e terminar o passeio na biblioteca, com uma boa história! Não sei porquê, mas já me estou a ver a ir a Quintanalara…
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Comunidade de Leitores 2016 - 1ª Sessão
Numa noite fria e chuvosa demos inicio à 1ª sessão desta
edição dedicada à literatura policial.
Começamos com literatura policial nórdica com o livro “ O
guardião das causas perdidas” do dinamarquês Jussi Adler-Olsen.
Foi apresentada uma leitura encenada da obra num ambiente
escuro e tenebroso que pôs o nosso coração a bater mais depressa, criando o
ambiente ideal para a conversa que se deu de forma agradável, apesar do tema.
A dura privação da vítima
Merette Lyngaard, a relação dinâmica do detetive Carl Morck e do seu assistente
sírio Assad proporcionaram-nos momentos deliciosos, irónicos e sarcásticos como
os nórdicos sabem muito bem ser.
Durante muito tempo tínhamos dos países nórdicos a ideia de
uma espécie de subcontinente cheio de felicidade, lagos, neve, liberdade
sexual, bem estas social e um crescimento económico contínuo, mas constatamos
que estes ditos paraísos tinham produzido monstros, vítimas e horrores, tudo
escondido sob aquele manto de neve e de felicidade em que só a neve era real.
Ao contrário da “inocência” dos romances policiais clássicos, alguns dos autores nórdicos assumiram compromissos políticos que põem a nu corrupção e a ganância das empresas, o atropelo aos cidadãos pelo Estado e pelos grandes interesses.
sábado, 24 de dezembro de 2016
Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures
Com a abertura de uma nova
Biblioteca Municipal no concelho de Loures, na sua zona oriental, em Sacavém –
a Biblioteca Municipal Ary dos Santos – inaugurada a 4 de junho de 2016
originou uma pausa nas reuniões desta Comunidade de Leitores. Foi por uma boa razão
porque todos ganhámos com a abertura de mais uma Biblioteca Pública ao serviço
da população.
Não estivemos propriamente
parados porque entretanto alguns de nós participámos no 1º Encontro de
Comunidades de Leitores de Bibliotecas Públicas, que decorreu no concelho da
Maia, como aliás já noticiámos aqui. Experiência bastante gratificante.
Voltámos agora com uma nova
designação - Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures (Biblioteca
Municipal José Saramago e Biblioteca Municipal Ary dos Santos). No dia 15 de dezembro
iniciámos mais uma edição, desta vez, dedicada à literatura policial “Detetives
à noite”. Teremos assim que desvendar crimes durante as quatro sessões programadas. Teremos
ainda o prazer de estar à conversa com o escritor Richard Zimler e ficarmos a
saber tudo sobre quem é a sentinela do seu livro “A Sentinela”, isto no dia 11
de fevereiro.
Desejamos a todos Boas Festas e
muitas leituras e que nos reencontremos dia 12 de janeiro, pelas 21H00, na
Mercearia Santana, em Sacavém para desvendar mais um crime, desta vez guiados
pela mão de Edgar Allan Poe, designado como o “pai” deste género literário, o
que só por si é um bom indicador de qualidade.
Boas Festas e Boas Leituras!
O Natal dos Poetas
Numa
noite em que nasciam
crianças
aos milhares
e
outras morriam sem assistência médica
e
outras morriam brincando com bombas
e
outras morriam esmagadas
por
fugitivos automóveis;
numa
noite de Inverno,
numa
noite de névoa
sobre
os barcos sem equipagem junto ao rio;
numa
noite de ruas desertas e casas fechadas
aos
que andavam perdidos e sozinhos,
três
poetas sentaram-se a uma mesa
e
decretaram a paz e a alegria
E
decretaram a paz
para
os que, cabelos soltos nas mãos das noites frias,
viviam
na cidade onde agora estavam,
respiravam
o mesmo ar
e
liam as mesmas notícias dos jornais.
E
decretaram a paz
para
os que tinham
os
olhos riscados pelos dedos do medo.
E
decretaram a paz
para
os que traziam
a
angústia dos dias misturada no sangue.
E
decretaram a alegria
para
as crianças que estavam nascendo em todo o mundo.
E
decretaram a alegria
para
as jovens que sentiam os seios despontar.
E
decretaram a alegria
para
as mulheres que eram mães.
E
decretaram a alegria
para
todos os seres.
Foi
então que Jesus Cristo
nascido
há quase mil
novecentos
e sessenta anos,
sorriu
no céu que cobria a mesa
onde
três poetas se tinham sentado
para
decretar a paz e a alegria.
[António
Rebordão Navarro]
[Porto,
1933]
Subscrever:
Mensagens (Atom)






