sábado, 29 de outubro de 2016
Loures esteve presente no 1º Encontro de Comunidades de Leitores de Bibliotecas Públicas
A nossa Comunidade de Leitores esteve presente neste Encontro Nacional e apresentou uma comunicação escrita com apresentação de PowerPoint. Falámos dos nossos serões literários - dos livros, de nós, das pessoas que já passaram por lá e sobretudo do bem que estes encontros nos fazem. A experiência foi muito interessante porque para além do convívio entre os nossos leitores (de Loures fomos 7), partilhámos as nossas experiências e vivências com leitores de outras Comunidades de Leitores do País, desde o Alentejo ao Minho. Muito bom.
Fomos muito bem recebidos pela Comunidade de Leitores da Maia que estão de parabéns pela organização deste evento.
Para quem não pode participar neste 1º Encontro, adiantamos em primeira mão, que haverá um segundo Encontro de Comunidades de Leitores.
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Do Blog Horas Extraordinárias
Ler em grupo
Maria do Rosário Pedreira
Às vezes fico estupefacta com o facto de duas pessoas jantarem juntas ao meu lado e não trocarem uma palavra durante toda a refeição, mas não pararem de fotografar os pratos e de os divulgar no Facebook para os «amigos» saberem onde e o quê estão a comer. Tenho a sensação de que nunca estivemos tão perto de toda a gente (a Internet ajudou) e tão – apesar disso – sozinhos. Leio, porém, uma notícia em sentido contrário, de que os clubes de leitura e as comunidades de leitores nunca foram tão numerosos em todo o mundo e que só nos Estados Unidos se estima em cinco milhões o número dos que fazem parte de uma ou mais destas «agremiações». Em Portugal elas também são bastante populares – cada vez mais – e algumas contam já com orientadores experimentados e participantes fiéis e têm até temas específicos que são tratados através de obras literárias ao longo de um ano ou de um semestre. Porque será então que as pessoas jantam sozinhas estando acompanhadas, mas gostam de ler em grupo quando a leitura é uma actividade que implica solidão, silêncio, concentração, recato? Pois não sei. Tenho ideia de que muita gente detesta ir ao cinema sozinha por não ter com quem comentar o filme no final; e, se calhar, também sente falta de ter com quem discutir os livros que adorou ler. Será?
quarta-feira, 20 de julho de 2016
Deite os seus filhos lendo um livro, não vendo televisão
“As
crianças transformam-se em grandes leitores no colo dos seus pais, por
isso, não duvide em ser o melhor exemplo, deixe que vejam você mergulhar em um
mar de letras para que elas nadem em um mar de sonhos…” Ler mais
quinta-feira, 16 de junho de 2016
terça-feira, 26 de abril de 2016
Mário de Sá-Carneiro (1890–1916) – Biografia
Escritor
português, natural de Lisboa. A mãe morreu quando Sá-Carneiro
tinha apenas dois anos e, em 1894, o pai iniciou uma vida de viagens,
deixando o filho com os avós e uma ama na Quinta da Vitória, em
Camarate. Em 1900, entrou no liceu do Carmo, começando, então, a
escrever poesia. Entretanto, o pai, de regresso dos Estados Unidos,
levou-o a visitar Paris, a Suíça e a Itália. Em 1905 redigiu e
imprimiu O Chinó, jornal satírico da vida escolar, que o pai o
impediu de continuar, por considerar a publicação demasiado
satírica. Em 1907 participou, como ator, numa récita a favor das
vítimas do incêndio da Madalena, e no ano seguinte colaborou, com
pequenos contos, na revista Azulejos. Transferido, em 1909, para o
Liceu Camões, escreveu, em colaboração com Thomaz Cabreira Júnior
(que viria a suicidar-se no ano seguinte), a peça Amizade.
Impressionado com a morte do amigo, dedicou-lhe o poema A Um Suicida,
1911.
Matriculou-se
na Faculdade de Direito de Coimbra em 1911, mas não chegou sequer a
concluir o ano. Iniciou, entretanto, a sua amizade com Fernando
Pessoa e seguiu para Paris, com o objetivo de estudar Direito na
Sorbonne. Na capital francesa dedicou-se sobretudo à vida de boémia
dos cafés e salas de espetáculo, onde conviveu com Santa-Rita
Pintor e escreveu, de parceria com António Ponce de Leão, em 1913,
a peça Alma. Em 1914, publicou A Confissão de Lúcio (novela) e
Dispersão (poesia). No ano seguinte, durante uma passagem por
Lisboa, começou, conjuntamente com os seus amigos, em especial
Fernando Pessoa, a projetar a revista literária que se viria a
publicar com o nome de Orpheu. Nesse mesmo ano, o pai partiu para a
então cidade de Lourenço Marques e Sá-Carneiro voltou para Paris,
regressando novamente a Portugal, com passagem por Barcelona, após a
declaração da guerra.
Depois
de algum tempo passado na Quinta da Vitória, voltou a Lisboa, onde
conviveu com outros literatos nos cafés, alguns dos quais membros do
grupo ligado à revista Orpheu, cujo primeiro número, saído em
Abril de 1915 e imediatamente esgotado, provocou enorme escândalo no
meio cultural português. No final do mesmo mês, publicou Céu em
Fogo. Em Julho desse ano saiu o Orpheu 2 e, pouco depois, Sá-Carneiro
regressou a Paris, de onde escreveu a Fernando Pessoa comunicando a
decisão do pai de não subsidiar o número 3 da revista.
Agravaram-se, por esta altura, as crises sentimentais e financeiras
do poeta (já por várias vezes tinha escrito a Fernando Pessoa
comunicando o seu suicídio). Sá-Carneiro suicidou-se, com vários
frascos de estricnina, a 26 de Abril de 1916, num hotel de Paris,
suicídio esse
MANUCURE — de MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
Na
sensação de estar polindo as minhas unhas,
Súbita sensação inexplicável de ternura,
Todo me incluo em mim – piedosamente.
Entanto eis-me sozinho no café:
De manhã, como sempre, em bocejos amarelos.
De volta, as mesas apenas – ingratas
E duras, esquinadas na sua desgraciosidade
Boçal, quadrangular e livre-pensadora…
Fora: dia de maio em luz
E sol – dia brutal, provinciano e democrático
Que os meus olhos delicados, refinados, esguios e citadinos
Não podem tolerar – e apenas forçados
Suportam em náuseas. Toda a minha sensibilidade
Se ofende com este dia que há de ter cantores
Entre os amigos com quem ando às vezes –
Trigueiros, naturais, de bigodes fartos –
Que escrevem, mas têm partido político
E assistem a congressos republicanos,
Vão às mulheres, gostam de vinho tinto,
De peros ou de sardinhas fritas…
Súbita sensação inexplicável de ternura,
Todo me incluo em mim – piedosamente.
Entanto eis-me sozinho no café:
De manhã, como sempre, em bocejos amarelos.
De volta, as mesas apenas – ingratas
E duras, esquinadas na sua desgraciosidade
Boçal, quadrangular e livre-pensadora…
Fora: dia de maio em luz
E sol – dia brutal, provinciano e democrático
Que os meus olhos delicados, refinados, esguios e citadinos
Não podem tolerar – e apenas forçados
Suportam em náuseas. Toda a minha sensibilidade
Se ofende com este dia que há de ter cantores
Entre os amigos com quem ando às vezes –
Trigueiros, naturais, de bigodes fartos –
Que escrevem, mas têm partido político
E assistem a congressos republicanos,
Vão às mulheres, gostam de vinho tinto,
De peros ou de sardinhas fritas…
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Do Blogue Horas Extraordinárias
Mini-bibliotecária
Maria do Rosário Pedreira
Nestes tempos tão escuros para o mundo, em que todos os dias nos chegam notícias de atrocidades, violência, atentados, desrespeito e intolerância, sabe bem ler que ainda há quem nos faça ter esperança no futuro, sobretudo em locais onde o bem-estar não é, de modo nenhum, evidente. Muskaan Ahirwar, uma menina indiana de nove anos a frequentar a terceira classe, decidiu criar uma biblioteca à sua porta, num bairro pobre, para os meninos que não têm livros. Todos os dias, depois das aulas, chega a casa e monta a sua biblioteca, colocando os livros – que já são mais de cem – numa espécie de estendal. Empresta-os aos que vêm dos bairros de lata ainda mais degradados do que o seu e já sabem ler, mas também lê alto para os mais pequeninos, a quem, de resto, explica com paciência como ler faz com que se viaje sem sair do sítio. A operação tem sido de tal modo bem-sucedida que o Estado da Índia resolveu certificá-la como bibliotecária, concedendo-lhe um diploma atestando as suas capacidades para a função e declarando que a sua biblioteca tem o apoio do sector oficial da educação. Nesse documento, lê-se ainda que ser amigo dos livros é ser amigo do mundo e que ler é também conhecer outros mundos. Um exemplo bonito de que deixo aqui uma imagem inspiradora.
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