sexta-feira, 8 de abril de 2016

Do Blogue Horas Extraordinárias

Mini-bibliotecária

Maria do Rosário Pedreira
 
 
Nestes tempos tão escuros para o mundo, em que todos os dias nos chegam notícias de atrocidades, violência, atentados, desrespeito e intolerância, sabe bem ler que ainda há quem nos faça ter esperança no futuro, sobretudo em locais onde o bem-estar não é, de modo nenhum, evidente. Muskaan Ahirwar, uma menina indiana de nove anos a frequentar a terceira classe, decidiu criar uma biblioteca à sua porta, num bairro pobre, para os meninos que não têm livros. Todos os dias, depois das aulas, chega a casa e monta a sua biblioteca, colocando os livros – que já são mais de cem – numa espécie de estendal. Empresta-os aos que vêm dos bairros de lata ainda mais degradados do que o seu e já sabem ler, mas também lê alto para os mais pequeninos, a quem, de resto, explica com paciência como ler faz com que se viaje sem sair do sítio. A operação tem sido de tal modo bem-sucedida que o Estado da Índia resolveu certificá-la como bibliotecária, concedendo-lhe um diploma atestando as suas capacidades para a função e declarando que a sua biblioteca tem o apoio do sector oficial da educação. Nesse documento, lê-se ainda que ser amigo dos livros é ser amigo do mundo e que ler é também conhecer outros mundos. Um exemplo bonito de que deixo aqui uma imagem inspiradora.
 
 
 
biblit.jpg
 
 

segunda-feira, 21 de março de 2016

sábado, 19 de março de 2016

Está a chegar… 21 de Março: Dia Mundial da Poesia


pergunto se posso dizer o teu nome a uma flor
flor o teu nome sussurrado pétala a pétala
letra a letra uma flor desfolhada na terra



[José Luís Peixoto]
[A Criança em Ruínas, Poesia]


Para esse dia (e não só), alguns programas:



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016


Morreu sexta feira dia 18.02.2016 Umberto Eco.

Para a literatura, para nós leitores, esta ocasião significa a perda de um escritor de talento, culto e influente  a nível académico.

A ultima obra que li dele, no verão passado e em férias no Douro, foi Numero Zero e gostei bastante porque me despertou para mundos obscuros do jornalismo e da escrita, dirigida para e por poderes de grande influência na sociedade contemporânea. Aborda cruamente como se gerem as inverdades, se transformam mentiras em quase verdades e como se lançam estratégicamente notícias no mercado – o seu e o seu contrario.

A narrativa do romance não é fácil, mas é extremamente rica em tópicos que se tocam, incluindo mitos históricos, internet e terrorismo. Deixo esta sugestão de leitura já com varias edições, em Portugal. Acompanhou-me no meu descanso com a família e  foi uma leitura “reveladora”.

Um abraço aos amigos leitores.

Cristina Costa

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Do Blogue Horas Extraordinárias
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:22
Li num jornal de Barcelona uma notícia muito bonita, até porque em Portugal já não é fácil encontrar livrarias em que os clientes consigam estabelecer com os livreiros relações de grande proximidade (há-as, evidentemente, mas sobretudo longe dos grandes centros). Xavier Vidal, o proprietário da livraria Nollegiu, aberta há pouco mais de dois anos em Barcelona, conseguiu num domingo de manhã uma verdadeira proeza, quase uma utopia: a de juntar mais de uma centena de clientes que, por amor aos livros, o ajudaram a fazer a mudança para outro local. Não em carros, nem sequer transportando caixotes; mas colocando-se ao longo do caminho que une as duas lojas, a antiga e a nova, numa autêntica cadeia humana, cada um passando ao companheiro do lado o conteúdo inteirinho da livraria! Xavier Vidal reconhece que tem clientes excepcionais, uma vez que até crianças acorreram a ajudar, sem medo do peso de alguns volumes; mas estes clientes consideram que Xavier merece isto e muito mais, porque soube fazer da sua pequena loja um espaço onde os leitores se sentem em casa. De tal forma o estabelecimento soube atrair os vizinhos desde que se instalou que, em pouco mais de dois anos, se tornou demasiado pequeno para tantos interessados e foi preciso avançar cem metros na rua para que ocupasse uma loja maior e pudesse servir melhor a clientela. Um dos transportadores disse à jornalista do El Periódico que não basta aos leitores queixarem-se de que as livrarias estão todas a fechar, é preciso pôr mãos à obra de todas as maneiras e feitios para evitar que isso aconteça. Bem, a imagem diz tudo.
parte-cadena-humana-que-traslado-los-libros-nolleg

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A poesia de José Carlos Ary dos Santos, hoje e sempre!

Hoje faz 32 anos que Ary dos Santos faleceu. Deixo-vos aqui um belíssimo poema de sua autoria e  uma foto sua acompanhada de outro grande poeta e compositor - José Afonso.


Meu amor, meu amor

Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.

Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.

Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.