terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Do Blogue Horas Extraordinárias
publicado por Maria do Rosário Pedreira, às 09:22
Li num jornal de Barcelona uma notícia muito bonita, até porque em Portugal já não é fácil encontrar livrarias em que os clientes consigam estabelecer com os livreiros relações de grande proximidade (há-as, evidentemente, mas sobretudo longe dos grandes centros). Xavier Vidal, o proprietário da livraria Nollegiu, aberta há pouco mais de dois anos em Barcelona, conseguiu num domingo de manhã uma verdadeira proeza, quase uma utopia: a de juntar mais de uma centena de clientes que, por amor aos livros, o ajudaram a fazer a mudança para outro local. Não em carros, nem sequer transportando caixotes; mas colocando-se ao longo do caminho que une as duas lojas, a antiga e a nova, numa autêntica cadeia humana, cada um passando ao companheiro do lado o conteúdo inteirinho da livraria! Xavier Vidal reconhece que tem clientes excepcionais, uma vez que até crianças acorreram a ajudar, sem medo do peso de alguns volumes; mas estes clientes consideram que Xavier merece isto e muito mais, porque soube fazer da sua pequena loja um espaço onde os leitores se sentem em casa. De tal forma o estabelecimento soube atrair os vizinhos desde que se instalou que, em pouco mais de dois anos, se tornou demasiado pequeno para tantos interessados e foi preciso avançar cem metros na rua para que ocupasse uma loja maior e pudesse servir melhor a clientela. Um dos transportadores disse à jornalista do El Periódico que não basta aos leitores queixarem-se de que as livrarias estão todas a fechar, é preciso pôr mãos à obra de todas as maneiras e feitios para evitar que isso aconteça. Bem, a imagem diz tudo.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A poesia de José Carlos Ary dos Santos, hoje e sempre!

Hoje faz 32 anos que Ary dos Santos faleceu. Deixo-vos aqui um belíssimo poema de sua autoria e  uma foto sua acompanhada de outro grande poeta e compositor - José Afonso.


Meu amor, meu amor

Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.

Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.

Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

... o desafio de Leitura à Desgarrada

“Os interessantes” de Meg Wolitzer

Foi a minha última leitura de 2015 e apesar das suas 587 páginas, prende-nos fortemente do  princípio ao fim…

O livro relata a história de seis personagens (pessoas comuns) desde a adolescência (década de 70) até aos 50 (época actual) e da sua amizade.

É um livro sobre a vida, alternando entre vários períodos e a perspectiva dos diferentes personagens.
E podia ser a vida de qualquer um de nós – com ou sem talento(s) - começando na adolescência, tempo
de encantamento,
de sonho,
de descoberta,
de que tudo é possível,
de que podemos mudar algo,

continuando na vida adulta com
o crescer e o que isso tem de doloroso,
o gerir expectativas,

até aos 50… com
a nostalgia da adolescência,
as amizades que mantivemos e aquelas que ficaram pelo caminho,
o que pensámos fazer e não fizemos!

Em suma, é um livro sobre a vida, e como defende uma das personagens, “… ter projectos era o que mantinha uma pessoa no mundo, o que mantinha uma pessoa viva”.

Definitivamente, uma leitura a não perder!

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Um Buraco na Estante: As Leituras e as Estações do Ano

Um Buraco na Estante: As Leituras e as Estações do Ano: Análise interessante:  Do blogue Pó dos livros… E vós? O que andais lendo neste Inverno?



Boa tarde,

Relendo "Contos" do amigo Eça (sempre actual) e lendo "Para onde vão os guarda-chuvas" de Afonso Cruz.

Um Bom Ano 2016 para todos.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015










Natal

Outro natal,
Outra comprida noite
De consoada
Fria,
Vazia,
Bonita só de ser imaginada.
Que fique dela, ao menos,
Mais um poema breve
Recitado
Pela neve
Ao cair, ao de leve,
No telhado.

Miguel Torga